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Principal Ribeirão Na Primeira Pessoa, com Manuel Santos
Clube de Cultura e Desporto de Ribeirão | Domingo, 05 Setembro 2010 |
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Na Primeira Pessoa, com Manuel Santos |
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Segunda, 22 Março 2010 |
 Manuel Santos
Manuel Santos é um Homem de cidadania apurada, um empresário de sucesso, sempre disposto a enfrentar novos desafios, na persecução dos seus sonhos. Vamos conhecê-lo melhor...
Viver a Nossa Terra - Apresente-nos o Manuel Santos...
Manuel Santos – Sou Manuel Silva Santos, nasci em Ribeirão a 20 de Junho de 1944, onde resido e desenvolvo a minha actividade profissional, como empresário do ramo metalúrgico. Nos meus tempos livres, que são poucos, gosto caminhar, tocar acordeão e viajar. Como cidadão, sempre colaborei, de diferentes formas, para o desenvolvimento desta terra.
VNT - Nasceu e cresceu em Ribeirão. Recorda-se como era a nossa terra na sua juventude?
MS – Sim perfeitamente. Era muito baseada na agricultura e alguma construção civil. Na sua maioria as pessoas ocupavam-se do cultivo de campos próprios, ou de arrendamento. Nesta época existiam vários agricultores com maior relevância. Lembro-me que tinham de recorrer ao Concelho de Barcelos para arranjar trabalhadores para cultivar as suas terras. Alguns destes permaneceram bem integrados em Ribeirão. Cá na Freguesia, haviam já bastantes pessoas em idade laboral, que devido à proximidade da Trofa conseguiram outras oportunidades de trabalho mais sustentáveis que não a agricultura. Mais tarde, apareceu a MABOR, hoje Continental Mabor, que começou a mudar e aliviar as necessidades de muitas famílias ribeirenses, assim como, a fábrica têxtil de SAM. Relativamente à ocupação dos tempos livres dos ribeirenses, havia pouca. Recordo-me de existir somente três automóveis, de aparecer o primeiro televisor e café. Os jovens ocupavam-se a jogar futebol em campos improvisados, dando origem à primeira equipa de futebol os “11 Unidos”, mais tarde ao Grupo Desportivo de Ribeirão.
VNT - É do tempo em que a tropa era feita em clima de guerra colonial. Foram momentos marcantes?
MS – Sou infelizmente desse tempo. Na minha juventude começava o “trauma” da guerra quando éramos chamados a apresentarmo-nos nos quartéis, onde poucos escapavam. Alguns colegas meus fugiram para países europeus, quando já mobilizados para embarcar para Ultramar. Eu, como muitos outros, ficamos marcados e traumatizados. Ainda hoje sofremos as consequências, uma vez que estávamos sempre em zona de conflitos operacionais. Certo é que, defendemos a mesma bandeira e o mesmo Hino Nacional, que ainda hoje existe. Sou da opinião, que a soberania de uma Nação resulta da coragem do seu povo, contudo, lamento que o sentido do patriotismo, de hoje em dia, não seja o mesmo.
VNT - Na vivência cívica é, um homem eclético, colaborando com várias instituições ao longo da vida. Quer-nos falar de algumas delas?
MS – Já fiz parte da direcção do Grupo Desportivo de Ribeirão, na década de 80. Fui membro da direcção do Rancho Folclórico e Etnográfico de S. Mamede de Ribeirão (actual ACRS de Ribeirão) e participei em diversos movimentos ligados à paróquia. Desde 2004 faço parte da Direcção da ACRS de Ribeirão, como vice-presidente da direcção. Ao longo da minha vida e sempre que solicitado, tenho vindo a colaborar e ajudar de diferentes formas algumas instituições e associações ribeirenses, porque todas elas merecem o nosso respeito e colaboração. É louvável a forma transparente como quase todas elas funcionam, como gerem as suas actividades, como procuram cativar as pessoas, em especial a juventude, para a participação em actividades culturais, desportivas e de lazer. Acima de tudo, considero positivo o seu bom funcionamento organizativo e de gestão, tornando público os relatórios anuais de contas de maneira a dar credibilidade e confiança a quem colabora. Um aspecto menos positivo, que gostaria de salientar, é o facto de que por vezes não existir inter-colaboração entre associações. Dou como exemplo a cedência de instalações, nomeadamente o caso do Pavilhão Gimnodesportivo Moinho de Vento, com excelentes condições para a prática desportiva e cultural, em que o seu tempo de ocupação se limita ao final do dia e às vezes ao fim de semana. Porque não criar protocolos com as escolas e associações locais, de forma a preencher os períodos em que se encontra livre. Sou da opinião, que com um pouco mais de espírito de abertura e boa vontade de alguns directores será possível. Todos não somos muitos para fazer da nossa vila o orgulho dos ribeirenses.
VNT - É Vice-Presidente da Direcção da Associação Cultural, Recreativa e Social de Ribeirão? Fale-nos um pouco das actividades da Associação…
MS – Sou Vice-presidente desta associação desde 2004. A Associação foi criada em 1 de Julho de 1981, por um grupo de 14 ribeirenses com a denominação de Rancho Folclórico e Etnográfico de S. Mamede de Ribeirão. A 25 de Novembro de 1982, passou a denominar-se ACRS de Ribeirão. Nessa altura, a única actividade activa era o rancho. Ao longo dos tempos foi-se abreviando a denominação para Rancho Etnográfico de Ribeirão, mas sempre regidos pelos mesmos estatutos. Actualmente, existem somente duas actividades: a desportiva e a cultural. A nível desportivo temos uma Equipa de Futsal Feminino federada a disputar o campeonato de Futsal Distrital Feminino da Associação de Futebol de Braga, que ao longo das suas participações tem demonstrado bom futebol e muita vontade de lutar pelos lugares de topo. A nível cultural, temos o Rancho Etnográfico de Ribeirão que, ao longo destes anos, tem demonstrado e representado a nossa vila e o nosso Concelho ao mais alto nível da Etnografia e Folclore, perpetuando os usos e costumes dos nossos antepassados. Só lamento o facto, do corpo directivo da associação, ainda não tenha tido a delicadeza de ver de perto a qualidade, esforço e boa vontade dos elementos do rancho, que tanto tempo das suas vidas dedica a este grupo. Muitos deles nem sequer conhecem os demais membros da direcção.
VNT - É inegável o seu “Amor” pelo Rancho Etnográfico de Ribeirão. Como vive actualmente essa paixão?
MS – Não posso negar que gosto de folclore, uma vez que eu próprio já pertenci a este grupo, como tocador de acordeão durante muitos anos. Quando assumi esta tarefa, sabia à partida, que não iria ser fácil, uma vez que, quando se lida com muitas pessoas, de diferentes idades e personalidades, é necessária uma maior capacidade de compreensão e diálogo.
VNT - Quais os projectos que gostaria de ver realizados, a curto e a médio prazo, no Rancho Etnográfico de Ribeirão?
MS – Como tem sido habitual, o rancho irá realizar actuações ao longo da Primavera e Verão de 2010. Vai efectuar mais um Festival Internacional de Folclore, o seu XXII, este ano inserido nas Festa da Comemoração de elevação de Ribeirão a Vila, no dia 3 de Julho de 2010 (Sábado) pelas 21h00. A longo prazo, gostaria de organizar e realizar uma feira, onde estariam representados os usos e costumes dos nossos antepassados a nível agrícola, de artesanato e demais costumes ligados ao povo, com o intuito de mostrar aos mais novos como era no “antigamente”.
VNT - Recentemente a sua empresa completou 25 anos de existência. Recorda-se como começou?
MS – Claro que sim. Depois de ter trabalhado em três empresas ligadas ao ramo metalúrgico, aos 39 anos, quando entendi que já tinha adquirido os conhecimentos necessários, bem como com um pouco de coragem e ambição, resolvi criar a minha própria empresa, designada por “Manuel Silva Santos”. Assim, comecei sozinho a trabalhar na garagem da minha casa em 1984. Ao longo destes anos, fui evoluindo e actualmente já com outra designação, a “Cuncortave” faz parte das grandes empresas do país do ramo de cunho e cortantes, embora já não na garagem de casa, mas sim num pavilhão em Zona Industrial. É uma empresa de certa forma bem conceituada no mercado nacional, com exportações para diferentes países europeus e continente Africano.
VNT - Sabemos que esta crise económica é transversal a todos os sectores de actividade. Como empresário o que espera do futuro?
MS – Estou convicto que melhores tempos virão para que algumas empresas possam ultrapassar esta crise. O mercado está bastante explorado. A qualificação dos funcionários é cada vez mais necessária mas, acima de tudo, o governo tem que alterar as suas políticas de justiça quanto ao sistema processual de devedores, que abala o poder financeiro das empresas.
VNT - Ribeirão tem, indubitavelmente, crescido enquanto Vila. No entanto, ainda há muito a fazer. No seu entender, o que faz falta e o que pode ser aperfeiçoado em Ribeirão?
MS – Faz falta, em Ribeirão, um espaço de lazer para crianças e adultos. Para as crianças, espaços dignos como parques infantis e ringues desportivos. Para os adultos um espaço de lazer. Quanto a infra-estruturas, gostaria de ver, ainda nos meus dias, e estou pronto a colaborar para tal, o Núcleo da Cruz vermelha de Ribeirão com instalações próprias e condignas para a sua função que, na minha opinião, quanto mais no centro da vila melhor.
VNT – A personalidade da sua vida.
MS – João Paulo II. Pelo notável trabalho prestado à Humanidade.
VNT – O filme da sua vida.
MS – O primeiro filme que assisti no cinema, “Sansão e Dalila”.
VNT – O livro da sua vida.
MS – O meu primeiro livro, o da 1ª Classe.
VNT – Local que gostaria de visitar.
MS – Cabinda – Angola porque gostaria de revisitar locais que me marcaram muito.
VNT – Local onde gostaria de viver.
MS - Encontro-me bem em Ribeirão.
VNT - Quer deixar alguma mensagem aos leitores do “Viver a Nossa Terra”?
MS – Que apoiem as instituições da nossa vila, para que todos juntos possamos criar as melhores condições para se viver cada vez melhor em Ribeirão, entre outras, este Jornal que bem tem contribuído para levar, bem longe, o viver da nossa terra.
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