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Clube de Cultura e Desporto de Ribeirão | Terça, 07 Setembro 2010
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Na primeira pessoa, com Álvaro Santos PDF Imprimir E-mail
Terça, 22 Junho 2010
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Álvaro Santos

Álvaro Santos é um jovem promissor, fiel às suas origens Ribeirenses, com destaque e reconhecimento no panorama cultural famalicense, nacional e internacional. Vamos conhecê-lo melhor!

VNT – Apresenta-nos o Álvaro Santos...
Álvaro Santos – Alguém que acredita: na seriedade do trabalho; no trabalho em equipa; na família como pilar moral, cívico e de formação colectiva da sociedade; na cultura e na educação como único meio de desenvolvimento individual e colectivo, de desenvolvimento critico e interpretativo, que nos leva a uma escolha livre, ponderada e consciente, que transforma e nos responsabiliza; na bondade do outro.

VNT – Na tua juventude recordas-te de….

AS – De me sentir útil e participar nas diferentes áreas da minha comunidade e de estar dentro de quatro paredes a estudar piano…

VNT – Que pessoas e modelos influenciaram as tuas escolhas pela área artística, mormente a vertente musical? 
AS – A minha primeira professora de piano foi a Dra. Graça Miranda. A minha família contribuiu para estar envolvido na área musical e serviu como alavanca para continuar. Tive a oportunidade de, desde muito novo, ver e ouvir concertos em diferentes sítios e com diferentes reportórios, e conhecer diferentes artistas.

VNT – A maior parte das pessoas associa-te, actualmente, a Director da Casa das Artes mas, anteriormente, foste Professor de Música, no CCDR e em várias escolas públicas do país. Tens, também, formação, Pós-Graduada em Economia e Gestão. Queres falar um pouco do teu percurso académico/profissional?   

AS – Fui professor doze anos. A minha primeira escola foi a EB 2,3 de Ribeirão e depois o colégio Nossa Senhora das Dores - Trofa. Percorri outras escolas públicas e privadas. Fui professor de piano, formação musical, educação musical e até de educação física. Estive no centro popular de música do CCDR, mais de dez anos. Paralelamente estive sempre ligado à gestão e administração de associações e empresas. Daí o interesse e necessidade de aprofundar os conhecimentos em gestão. Actualmente, tenho a oportunidade de associar a formação artística, pedagógica e de gestão no mesmo sítio, num teatro, a Casa das Artes de Famalicão. A minha formação académica proporcionou uma grande abrangência de conhecimento mas, foi, sem dúvida, a experiência no associativismo que me deu a verdadeira escola do que é a vida – a dificuldade das relações humanas, a relação com os vários poderes e a dificuldade de gerir e administrar o pouco mas com grandes objectivos. 

VNT – És um defensor aguerrido do Associativismo. Já foste, inclusive, presidente do CCDR. Manténs-te activo neste âmbito? 
AS – Agora menos, mas ainda sou presidente da Assembleia-Geral da Casa do Povo de Ribeirão; Secretário da Assembleia-geral do CCDR; Fundador e Vice-Presidente da Associação ÓperaNorte, Fundador e conselheiro da associação de Escultura e Arte Contemporânea.

VNT – Foste convidado, em 2006, para Director da Casa das Artes, que diriges de forma brilhante. Como viveste esses momentos?
AS – Com enorme apreensão! Em Portugal a planificação, o objectivo, o trabalho de continuidade, o acesso democrático, e o seu entendimento, a bens culturais é difícil e pouco entendido. Está no desenvolvimento cultural do indivíduo, na sua comunidade e na restante sociedade, a melhoria global equitativa, ética e solidária, o chamado desenvolvimento sustentado, incluído também o económico. Ninguém se envolve, questiona, escolhe e se entrega, se não existir um entendimento maduro, interessado e critico do que é a sua vida e da vida das micro sociedades, sejam elas de empresa, politica, familiar, associativa ou em geral do seu país. Tomemos como exemplo a produtividade, hoje muito falada. Se eu não me questiono, não me avalio, não entendo o fim do meu trabalho e o bem da minha empresa, como posso sugerir e melhorar o processo de produção do meu próprio trabalho? Se pensar, se me envolver, se tiver o meu sentido crítico activo posso ir mudando, sugerindo novos métodos, novos processos de forma a produzir mais barato, mais rápido e com melhor qualidade. A cultura dá-nos esta visão de uma constante procura, de desenvolvimento critico, de nos questionar sobre o que queremos para nós e para os outros, de colocarmos e entendermos o outro, olhando de frente para mim, de fazer, de forma livre e ponderada, opções, conscientes com a nossa própria escolha.

VNT – Em tempos de crise a cultura paga a factura?
AS – Eu diria, que antes de existir crise, a cultura já teve cortes no seu suposto orçamento. Continuamos a hipotecar o nosso desenvolvimento. Existe medo de planificar a longo prazo, de escolher um caminho de investimento na capacidade das pessoas, no seu conhecimento, nas suas experiências. Continuamos a ser primários nas nossas escolhas, a promover a permissividade perante a dificuldade, a dar relevo a certos pormenores. Devo dizer que os aspectos e conhecimentos económicos são fundamentais, porque nos relata a realidade concreta e o estado das nossas organizações, a sua actividade produtiva, os seus resultados, as necessidades imediatas, até a mudança na forma de gerir as nossas poupanças e como podemos aplicar com melhores resultados, o que temos e o que podemos ter, do ponto de vista material, mas não tem a capacidade de promover uma mudança, onde tudo começa e acaba – o indivíduo. Está no indivíduo a força de mudança, a motivação, o empenho verdadeiro, o espírito altruísta, a capacidade de acção individual e colectiva de pensar, agir e questionar.  

VNT – Apesar do sucesso que te rodeia manténs-te um homem humilde e fiel às tuas origens. Que valores gostarias de partilhar com os mais jovens na procura do sucesso profissional.
AS – O mundo é muito grande, existem sempre coisas mais interessantes do que a vida pequena e mesquinha da nossa rotina pessoal. Nunca devemos ficar acomodados com o nosso pequeno sucesso. É necessário ver, ouvir, experimentar, procurar, conhecer, ir. Hoje tudo é mais fácil, existe muitos meios de transporte, para todo o lado e cada vez mais baratos. É preciso sermos ousados, não ter medo de ir/estar em sítios, que de inicio achamos que não nos dizem nada. Só estando é que saberemos se gostamos, se nos sentimos bem, se nos identificamos. Antes de falarmos devemos perceber do que falamos, procurar entender o contexto das diferentes situações. Penso que este é o grande desafio de todos nós.

VNT – Sabemos que és pai de uma família numerosa. Como consegues gerir e estar disponível, com vitalidade, na vida familiar, profissional, social, cada vez mais exigente.
AS – Com muita ajuda da minha mulher Conceição, da minha sogra, mãe e pai. Temos que fazer opções e no meu caso, tenho que agradecer muito a estas pessoas que me ajudam a tomar decisões, nunca questionam e sempre apoiam. No entanto, tenho que conhecer tudo o que envolve a minha família, não deixo a minha tarefa de pai, se tiver que deixar de estar presente em alguma situação profissional, por uma algum problema familiar, não tenho qualquer dificuldade em escolher o que para mim é mais importante, a família. Com uma família numerosa tenho que trabalhar mais para lhes proporcionar oportunidades, dentro de um quadro de responsabilidade, humildade e aproveitamento das suas próprias capacidades. Esta é a minha missão….

VNT – És um ribeirense de alma e coração destacado, no livro editado pelo Sr. Firmino Santos, como uma figura relevante de Ribeirão. O que mais te orgulha e te entristece na nossa vila?
AS – Ribeirão é hoje uma comunidade reconhecida e com condições, onde podemos viver com qualidade. Tenho orgulho nas nossas associações, instituições e empresas que tem relevo não só local mas regional e nacional, tanto no domínio social, desportivo, económico, cultural. Ribeirão esteve muito tempo adormecido, a reboque de um pequeno conjunto de pessoas, nas vários domínios da nossa comunidade, que se empenhavam e lutavam para mudar um certo comodismo geral, mais tradicional dos brandos costumes, do que intencional. Todos temos a noção da mudança profunda do que aconteceu e acontece ao nível social, com o empenho profundo do nosso pároco Monsenhor Manuel Fernandes, com os êxitos das nossa associações desportivas, concretamente o futebol e o atletismo, com empresas de referência ao nível do vestuário, metalomecânica, moldes, desenvolvimento tecnológico e serviço… No entanto, as pessoas de Ribeirão devem-se envolver mais nas suas associações, instituições. Participar, conhecer, valorizar o trabalho que os outros desenvolvem, sem interpretações mesquinhas e oportunistas. Gostava de agradecer ao Prof. Santos Oliveira e ao Prof. José Couto, dois ilustres membros da nossa comunidade ribeirense, que sempre se envolveram, de forma livre, desinteressada e muito empenhada no desenvolvimento cultural e cívico da nossa vila. Foram eles os responsáveis pelo meu envolvimento no associativismo e na comunidade.

VNT – A personalidade da sua vida.
AS – A minha Mãe e o meu Pai

VNT – O filme da sua vida.
AS – Shine – Simplesmente Genial de Scoth Hicks

VNT – O livro da sua vida.
AS – “Introdução ao Pensamento Complexo” de Edgar Morin

VNT – Local que gostaria de visitar.
AS – Salzburg – Áustria

VNT – Local onde gostaria de viver.
AS - Vila de Ribeirão (que é a minha residência)

VNT - Quer deixar alguma mensagem aos leitores do “Viver a Nossa Terra”?

AS – Vamos a eles que ainda não garantimos a vitória. Deixemos de conversa e vamos para acção.

António Almeida
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