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Principal Fradelos Associação Musical e Educativa de Fradelos: “A nossa escola tem potencialidades e pode criar raízes”
Clube de Cultura e Desporto de Ribeirão | Quarta, 08 Fevereiro 2012 |
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Associação Musical e Educativa de Fradelos: “A nossa escola tem potencialidades e pode criar raízes” |
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Domingo, 04 Março 2007 |
 Em 2004 o património cultural fradelense é enriquecido com o nascimento
da Associação Musical e Educativa de Fradelos (AMEF). Música, cinema e
exposições são algumas das ofertas culturais acessíveis à comunidade
local. Em entrevista ao jornal Viver a Nossa Terra, o vice-presidente
da associação, Cândido Vila Verde, fez um balanço positivo da
actividade desenvolvida pela AMEF e apresentou o principal projecto
futuro da colectividade.
A música foi o grande impulsionador da Associação Musical e Educativa de Fradelos , com a criação de uma escola de música que ao longo destes anos tem leccionado aulas de guitarra clássica, violino e flauta transversal. Na altura não havia nenhuma escola de música na freguesia, havendo apenas registos de uma escola do género existente há cerca de 15 anos atrás, na Casa do Povo local. Ao longo dos últimos anos, a escola registou um crescimento do número dos alunos. Inicialmente o recrutamento dos alunos foi feito mediante apresentações da escola de musica nos estabelecimentos de ensino da freguesia e não só. No fim de cada apresentação, os alunos das escolas experimentavam cada instrumento, possibilitando “uma identificação, uma aproximação com cada instrumento”, sublinha o vice-presidente. Actualmente, as apresentações não se têm registado, como explica Cândido Vila Verde, “tem havido resistência por parte dos agrupamentos, não facilitam porque dizem que não há disponibilidade a nível de tempo e de programa. (...) não têm sensibilidade para o nosso projecto, que é também de descentralizar em termos culturais”. Actualmente, a escola tem cerca de 40 alunos que, na sua maioria, são de Fradelos, outros de freguesias vizinhas como Ribeirão e Trofa. Cada instrumento é leccionado por um professor devidamente formado na área. Com idades compreendidas entre os 6 e os 60 anos, os alunos têm aulas individuais, havendo ainda a aula colectiva de formação musical.

“Trabalho sério” De um modo geral, a escola de música faz um balanço positivo do trabalho desenvolvido. Por outro lado, “há alunos bons, alunos que trabalham muito, outros que não trabalham tanto”, como frisa o vice-presidente. Mas o importante é o registo de uma evolução positiva dos alunos. Em termos de actividade musical desenvolvida, a escola destaca o Concerto de Natal que já se realizou por dois anos consecutivos e que conta com a presença de outros professores do Conservatório; a deslocação da pequena orquestra de violinos a eventos fora da freguesia; e as três audições de música promovidas ao longo do ano dirigido essencialmente aos pais e familiares dos alunos. As audições de música, sublinha Cândido Vila Verde, “estão sempre cheias” e visam mostrar o trabalho que os alunos têm vindo a desenvolver ao longo do ano. As participações da Escola de Música da AMEF fora da freguesia ainda não se registaram em grande número, mas o vice-presidente explica que isso não significa que “não fazemos um trabalho sério”, acrescentando, “temos cuidado em ter um método. Não temos aquela ideia comercial de crescer, optamos pelo rigor. Penso que estamos a conseguir bons resultados, há alunos que estão a tocar muito bem. Isso é o que conta para nós”. Para o grupo dos professores de música “o projecto em si é que tem sido a grande motivação da escola, o gosto pela música”.
Tuna orquestral Outrora, no inicio do século passado, existiu em Fradelos uma Tuna Orquestral, da qual ainda existem registos dos repertórios, inclusive familiares ainda vivos guardam material fotográfico da tuna. Um marco cultural fradelense que a AMEF pretende fazer renascer com a criação de uma orquestra. Este é o grande projecto da associação. Para que o projecto se concretize há primeiro um árduo trabalho a desenvolver e que passará pelo ensino de novos instrumentos na escola de música da AMEF, mas antes será necessário o recrutamento de novos alunos para o ensino de violoncelo, saxofone, clarinete, fagote, trompa, trompete. Foi com esse propósito que a escola de música fez, já no passado domingo, uma apresentação dos novos instrumentos no salão paroquial local. A associação acredita na concretização deste projecto, pois “a nossa escola tem potencialidades e pode criar raízes”. Por outro lado, é um projecto que visa “ir ao encontro do que Fradelos é se pegarmos num reportório mais popular, mais identificativo com a freguesia e sua comunidade”. Cândido Vila Verde acredita que com a futura orquestra assente nas raízes da Tuna Orquestral “as pessoas se identificarão mais com o projecto e valorizarão mais o nosso trabalho”. A escola pretende recorrer ao reportório existente da Tuna e, possivelmente, adicionar novos instrumentos. Por outro lado, o projecto da AMEF não consiste só em dar aulas de musica, mas “fazer com que os nossos alunos se projectam (...) não temos a pretensão de criar músicos, mas de criar o gosto musical”. O vice-presidente acrescenta “a musica é mais uma capacidade humana atribuída à pessoa e desempenha um papel que é o de permitir ao aluno de música uma outra visão do mundo”. Aliado ao crescimento da escola de música da AMEF está, por um lado, a necessidade de aquisição de novos instrumentos musicais, e, por outro, a necessidade de se encontrar novas instalações para a escola de música, pois um maior número de alunos e a formação de uma orquestra implica outras condições logísticas que a Casa da Cultura não tem. Por cedência da Junta de Freguesia a AMEF exerce as suas actividades na Casa de Cultura de Fradelos. Um espaço que “até agora tem servido para as nossas necessidades (...) Estamos contentes por aqui estar, a Junta tem sido fantástica, mas no futuro com o crescimento da escola vamos precisar de um espaço mais adequado”. Para a resolução de ambas as necessidades a associação espera contar com o apoio de todos os fradelenses e entidades.
Outras actividades A oferta cultural da Associação Musical e Educativa de Fradelos estende-se a outras actividades, como por exemplo, a promoção de exposições desenvolvidas todos os meses. Ao longo de 2006 foram muitas as pessoas, inclusive alunos das escolas locais, que visitaram as exposições temáticas, pedagógicas, didácticas, históricas e bibliográficas que passaram pela Casa da Cultura. Uma actividade totalmente organizada pelos elementos da associação. Para o corrente ano estão já programadas muitas outras exposições, mas que incidirão agora na pintura e artes gráficas. A próxima acontecerá já no próximo mês de Março. Uma exposição de fotografia de Mimia, pseudónimo de Maria Germroth, artista plástica alemã na área das artes e design do mundo digital e das novas tecnologias. Também em 2006 a AMEF proporcionou à comunidade fradelense uma nova actividade cultural – o cinema. Ao longo do ano foram promovidos três ciclos de cinema, dirigidos a maiores de 12 anos de idade. Adaptado ao espaço da Casa da Cultura, a exibição dos filmes enquadrou-se num “espírito mais familiar”, onde o importante foi escolher filmes obedecendo a determinados critérios enriquecedores para os visitantes. O cinema é uma das actividades previstas para o corrente ano, esperando a associação que a afluência seja melhor que a do ano transacto, que “foi razoável”, sublinha Cândido Vila Verde. Um dos pontos altos da AMEF em 2006, e que muito orgulha a colectividade, esteve relacionado com a realização da “1ª Festa da Comunidade e do Associativismo”, no mês de Agosto. Foi uma actividade que “de facto chegou a centenas de pessoas”. Uma festa que contou com o apoio de toda a comunidade, e com a boa vontade do Rancho Regional de Fradelos, da Banda Alinson Bentley, da Fanfarra dos Escuteiros de Fradelos e dos Malabretes. Todos actuaram gratuitamente. A Festa da Comunidade e do Associativismo é um evento que a AMEF pretende voltar a realizar no corrente ano. Assim como voltar a participar na Feira do Associativismo de Famalicão. Ainda em 2007, para além das actividades acima mencionadas, a Associação Musical e Educativa de Fradelos prevê ainda voltar a promover o tradicional concerto de Natal, uma actividade “com que as pessoas muito se identificam”, sublinha Cândido Vila Verde. Mas a novidade para o corrente ano prende-se com a promoção de sessões de teatro.
Falta de apoios Para o desenvolvimento de todas as actividades culturais a AMEF conta essencialmente com os rendimentos da escola de música, derivados das mensalidades dos alunos. Não recebem nenhum subsidio de nenhuma entidade, apenas tendo contado no ano passado com a angariação de fundos no âmbito da Festa da Comunidade e do Associativismo, e com alguns patrocínios, “uma situação isolada”, para a promoção de uma determinada actividade. Por seu turno, a Junta de Freguesia “tem sido um apoio imprescindível ao ceder o espaço da Casa da Cultura”, frisa o vice-presidente. O orçamento é limitado, mas o saldo é positivo. O importante é para a associação “ter força e vontade para fazer as coisas. (...) Temos o bom senso e o grande desafio que é de mostrar às pessoas o nosso trabalho sem exigir nada”, terminando Cândido Vila Verde, “É de boa vontade que as pessoas têm trabalhado aqui. É uma força imensa em prol da freguesia, um serviço cívico que presta à comunidade. É muito bom quando se faz alguma coisa e as pessoas gostam. E isso é um grande incentivo para todos nós”. |
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