| |
Principal Opinião Viver em comunidade
Clube de Cultura e Desporto de Ribeirão | Sábado, 19 Maio 2012 |
|
|
| |
|
Terça, 22 Novembro 2011 |
 Leonel Rocha
Viver em comunidade é sair do anonimato para deixar-se conhecer, deixar-se cativar, colocando os seus dons e talentos ao serviço.
No rescaldo das notícias da últimas semanas, concretamente no que toca às medidas de austeridade, que têm afetado a maioria dos portugueses, que agora sentem realmente a crise, dei por mim a pensar numa outra realidade que também está em crise, mas que muito poderia contribuir para minorar a crise económica nas famílias: falo do espírito de comunidade.
Sabemos que ninguém consegue viver sozinho e que todas as pessoas precisam umas das outras para viver.
A comunidade é a forma de viver junto, de modo mais íntimo, privado e exclusivo. É a forma de se estabelecer relações de troca, necessárias para o ser humano, de uma maneira mais íntima e marcada por contactos primários. Diferente de Sociedade, que é uma grande união de grupos sociais, marcada também pelas relações de troca, porém, de forma não-pessoal, mas de forma racional e com contactos sociais secundários e impessoais.
Hoje, o que assistimos e experienciamos é que temos, cada vez menos, comunidade. Vamo-nos resignando a pertencer a uma sociedade, seja ela mais alargada (europeia ou portuguesa) ou mais próxima (cidade, freguesia), muitas vezes sem, sequer, sermos cidadãos ativos na sua construção. Perceber quem está ao nosso lado e aceitar a sua expressão individual, dentro dos limites da cidadania, é fundamental para evitarmos os constantes conflitos entre nós, e nos animar a trabalhar em prol dos outros, na certeza que os outros estariam a fazer o mesmo por mim.
O diálogo assume-se, portanto, como o único meio para o encontro com o outro, diferente de nós e, no entanto, igual. A ausência de palavras, o virar das costas ou a ameaça ao outro são atitudes de recusa em procurar a unidade e que nos levam, inevitavelmente, ao isolamento e à separação.
O que é necessário, então, para fazer comunidade? Basta vivermos no mesmo espaço temporal e geográfico? Para fazer comunidade, não basta estar juntos, ou um ao lado do outro na mesma casa, na mesma rua, freguesia ou concelho. É preciso que haja objetivos comuns, metas bem definidas, prioridades básicas que favoreçam a superação do individualismo. Faz-se necessário vivenciar as relações interpessoais.
O encanto da vivência comunitária supõe uma grande capacidade de amar. Saber viver em comunidade é uma missão que se aprende cada dia. É preciso superar limites e ir além dos interesses pessoais, olhar mais para o "nós" e menos para o "eu". Uma pessoa egoísta nunca vai ser um membro agradável na vivência comunitária, pois predomina sempre os seus interesses e o bem comum fica em segundo plano.
Viver em comunidade é sair do anonimato para deixar-se conhecer, deixar-se cativar, colocando os seus dons e talentos ao serviço. Só quem ama realmente, entende o que significa a vida de comunidade.
Em jeito de conclusão vamos concretizar, com exemplos práticos, como podemos fazer comunidade, apontando pistas indicativas de como podemos viver para a comunidade.
Inevitavelmente, se queremos ser e ter cidadãos educados para viver para a comunidade e, assim, ajudarem a construir verdadeira comunidades, então temos que dar uma atenção especial às famílias. A família, como nos dizia João Paulo II, na Familiaris consorsio, tem se tornar naquilo que é: uma escola de educação para os valores (a começar pelos valores da nossa cultura cristã). Têm que se preocupar mais em ser e não com o ter, têm que se envolver mais na própria comunidade, que mais não é que um conjunto de famílias.
As escolas têm que ser, também elas, fonte de cidadania e de entreajuda, valores fundamentais para educar cidadãos ativos e empenhados na construção de uma boa sociedade, onde impere o espírito comunitário de preocupação com o bem coletivo.
As paróquias, que são comunidades católicas, e as comunidades religiosas de outras confissões, devem ser uma veradeira escola de agentes comunitários, construtores de comunidades vivas e alegres, quer pelos seus ensinamentos, quer pelo exemplo que aí se vive e respira.
As Associações de Pais e as coletividades recreativas, desportivas culturais ou sociais, que se empenham em torno de um objetivo comum, no sentido de ajudarem o espaço dos seus filhos a ser mais parecido com uma família, são também excelentes contributos de trabalho para a comunidade.
As freguesias, quando os seus líderes fomentam o espírito comunitário, ora com trabalho em prol do bem comum, ora com convívios, são simultaniamente, comunidades vivas e escolas de cidadania comunitária.
Viver em comunidade. Eis o grande desafio dos nossos tempos...
Concluo, reiterando o meu pensamento de que a forma mais eficaz de construir um mundo melhor… o nosso mundo melhor, é vivermos em comunidade, com espírito comunitário. Não esperem que os outros o façam. Como diz Jesus Cristo, voltado para o Doutor da Lei (que é cada um de nós), no final da parábola do Bom Samaritano, que fez comunidade com o ferido desconhecido que encontrou no caminho: “Vai e faz tu também o mesmo”.
Nota: Na última rubrica lembrei o homem que pugnou na Assembleia da República, para que a freguesia de Ribeirão fosse elevada a categoria de Vila. Porém, referi-me ao Eng. Germano Abreu, que também foi deputado, mas a pessoa certa é o Dr. Virgílio Carneiro. As minhas sinceras desculpas e o meu renovado reconhecimento ao Dr. Virgílio Carneiro.
|
|
|
| |
|
| |
|
|
| |
|
|
| |
|
| |
 |
|
Clube de Cultura e Desporto de Ribeirão. Todos os direitos reservados.
|