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A grande serpente PDF Imprimir E-mail
Segunda, 03 Dezembro 2007
Desde os gregos antigos até aos aborígenes australianos, a cobra ocupa lugar de relevo nos mitos e religiões de todo o mundo. Para os norte-americanos era um símbolo poderoso: a cobra cascavel, por exemplo, era venerada pelos Cherokees, e os Moicanos consideram-na como um espírito guardião enviado por Deus. No distrito de Adms, Ohio, uma elevação de metros de altura, ergue-se a pique sobre uma curva de um pequeno rio, o Boush Cruk.
No planalto, no cimo da elevação, fica um dos cenários mais estranhos da América do Norte: um metro acima do solo, uma gigantesca serpente feita em terra, com o dorso coberto de uma camada de erva cor de esmeralda, estende-se ao longo do cume.
O morro da serpente, agora conservado pela sociedade histórica de Ohio, é uma das mais dramáticas antigas obras em terra da América. A partir da torre de observação, junto à cauda, o corpo parece erguer-se do solo, com sete anéis pronunciados a desenrolarem-se da cauda muito enroscada, esticando-se até ao pescoço. A boca está escancarada como se fosse devorar aquilo que parece um ovo – morro oval separado com 30 cm de comprimento. A forma da cobra está tão bem definida que parece um gigantesco molde em forma de serpentina que acabou por ser retirado do local.
De facto, o morro foi construído à centenas de anos com cestos de terra deitada entre um contorno marcado por pedras ou por uma mistura de cinza e argila.
Com 6 cm de largura e mais de 300 de comprimento, a grande serpente é uma de entre as milhares de obra na terra com formas e tamanhos diversos foram delineadas pelos antepassados pré-históricos dos índios norte-americanos.
Desde os grandes lagos até ao golfo do México estes morros eram as coberturas cónicas e de sepulturas ou plataformas de templos de madeira.
O morro da serpente foi examinado pela primeira vez em 1864 pelo jornalista Ephraim Squier e pelo físico Edwiu Davis. Os dois mediram o local com precisão mas não souberam dizer quem é quando o tinham construído.
De facto estes morros enigmáticos haviam causado grande perplexidade os colonos brancos, desde que os viram pela primeira vez no séc. XVIII. Surgiu um movimento de teorias, tentando explicar a existência destas construções. Só no séc. XIX foi seriamente aceite que estas obras originais foram feitas pelos antigos índios americanos.
Presentemente muitos estudiosos acreditam que a grande serpente foi obra de um povo pré-histórico Adena que prosperou de 1000 a 100 aC no vale do rio Ohio. Os Adenas eram caçadores que viviam em pequenas comunidades, com reduzido número de casas e foram os primeiros cultivadores do milho na América do Norte. Outros pensam que o morro da serpente apresenta uma dimensão e uma execução mais compatível com o povo Hopewell, construtores de morros cuja cultura mais desenvolvida suplantou a dos Adenas depois de cerca de 150 aC. Mas a razão de uns ou outros construírem esta grande serpente continua a ser um mistério.
Desde os gregos antigos até aos aborígenes australianos, a cobra ocupa lugar de relevo nos mitos e religiões de todo o mundo. Para os norte-americanos era um símbolo poderoso: a cobra cascavel, por exemplo, era venerada pelos Cherokees, e os Moicanos consideram-na como um espírito guardião enviado por Deus.
Talvez a chave do significado do morro da serpente esteja nas tradições dos índios. Recentemente, uma autoridade no domínio destes morros William Romain, sustentou que os seus construtores tinham desenhado simbolicamente um eclipse solar, no qual o sol está a ser atacado pela serpente e por ela devorado.
A imagem do sol a ser devorado por monstros aparece em muitas culturas. Os Iroquenses, por exemplo, acreditavam que os eclipses do sol e da lua eram causados por dragões de fogo que os comiam. Na tradição Cherokees o sol estava a prejudicar o seu povo provocando doenças, então eles enviavam uma serpente enorme chamado Uktena para o devorar. Romain salienta que o facto dos Iroquenses e Cherokees habitarem próximos dos morros das serpentes pode ser significativo.
Qualquer que seja o seu significado, a grande serpente, é obra de uma beleza perfeita. Para milhares de pessoas que a visitam todos os anos, o seu corpo enorme mas graciosamente ondulante, associado à quietude com o dinamismo da cauda a desenrolar-se, constitui uma coisa impressionante.
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