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Principal Desporto Entrevista com Sérgio Costa, atleta do CCDR
Clube de Cultura e Desporto de Ribeirão | Quarta, 08 Fevereiro 2012 |
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Entrevista com Sérgio Costa, atleta do CCDR |
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Quarta, 26 Dezembro 2007 |
 Sérgio Costa Sérgio Costa sonha representar a Selecção Nacional
Com que idade te iniciaste no atletismo? Em que clube? A minha vida no atletismo nasceu com a minha vinda para a escola EB 2e3 de Ribeirão. Tinha na altura 10 anos e o atletismo serviu para ocupar o meu tempo e dar continuidade as minhas brincadeiras. Foi assim este meu começo, um pouco a brincar ao atletismo. Para minha felicidade e dos meus colegas existia o CCDR para nos proporcionar isso. Tenho agora 25 anos de idade e já conto 15 anos de atletismo e outros tantos de CCDR.
Qual a tua actividade profissional neste momento? Continuas a ter tempo para o atletismo? Actualmente sou Formador no CENFIM – Centro de Formação Profissional da Indústria Metalúrgica e Metalomecânica, estando responsável por dar formação na área de CNC. Para além disso estou a frequentar o 1º ano de Engenharia Mecânica no Instituto Superior de Engenharia do Porto. No atletismo, apesar de ser muito complicado de conciliar com tudo isto, tenho vindo a fazer um esforço para continuar a ter tempo para treinar e para estar ao nível dos anos anteriores.
Onde estás a treinar? Estou a treinar na Faculdade de Desporto do Porto, porque já que me desloco para o Porto para frequentar a universidade, aproveito para treinar lá. Lá encontrei condições de trabalho muito diferentes das que existem em Ribeirão, para além da pista de tartan, existe o pavilhão com um sector de saltos, entre outras coisas.
 Quantas vezes treinas por semana e que tipo de treinos fazes? Tento fazer quatro treinos por semana, não são o número de treinos que precisava, mas já é um número satisfatório visto o tempo disponível que tenho. Em termos de treinos que realizo posso dividir em três grandes áreas que são essenciais na área específica dos saltos: a primeira é o treino da força. O segundo tem a ver com a melhoria da velocidade. E o terceiro com a capacidade de salto. Em todas estas áreas existe sempre uma preocupação de melhorar aspectos técnicos, directamente relacionados com o salto.
Como foi possível treinar em Ribeirão num local sem pista durante 10 anos e conseguir alcançar os teus brilhantes resultados? Foi possível graças ao trabalho e espírito de sacrifício... tive de ultrapassar essas faltas de condições onde a minha treinadora adaptava treinos e tentei aproveitar ao máximo o pouco tempo que passava em estágios da federação. Foi sempre o maior obstáculo que tive de ultrapassar. Para além das diferenças claras entre saltar com as sapatilhas de competição e claro uma caixa de areia e um colchão apropriados... existem as mazelas causadas pelos treinos nestas condições.
Quais os resultados mais significativos que alcançaste ao longo destes anos? Os resultados são a parte visível do meu trabalho e dos meus treinadores, por isso tem um valor importante. Não são só importantes as vitórias em si, mas sim todo o trabalho e dedicação que tivemos para as conquistar. E felizmente os títulos são muitos, saliento como é claro o título de campeão Nacional de juniores em Salto em Altura. Existem alguns segundos lugares no salto em comprimento e triplo salto em Campeonatos Nacionais de juniores e sub 23, nos quais só perdi para o actual campeão do mundo de triplo salto, Nélson Évora, o que me deixa muito satisfeito. Existem ainda outras vitórias, mais importantes até, porque mais dificilmente se apagam com o tempo. Que são a amizade, a oportunidade de conviver e competir com pessoas que admiro muito da qual saliento apenas alguns nomes: Prof. Alexandra Sarmento, Pedro Carrasco, Prof. José Barros (actual Director Técnico Nacional da F.P.A) , Prof. Robert Zotko um dos melhores treinadores mundiais de salatos já falecido, Rafael Gonçalves (recordista de Portugal de Salto em altura), Nelson Évora (recordista de Portugal de triplo salto e actual campeão do mundo).
Chegaste a fazer estágios com Prof. Roberto Prof José Barros e com atletas como Nelson Évora, Gaspar Araujo, como foi a experiência? Como já disse estas são pessoas que admiro muito, por isso foi um privilégio lidar com todos eles. Gostaria de ter trabalhado mais tempo e mais dedicadamente, mas não se proporcionou. O trabalho e dedicação recompensa e isso via-se claramente com estas pessoas, fazíamos treinos de grande intensidade, de grande sacrifício. Mas sempre com alegria e com a convicção de que este trabalho daria frutos.
Quais os objectivos que esperas ainda alcançar como atleta? O objectivo é sempre o mesmo de todos estes anos, tentar sempre fazer melhor e muito importante divertir-me com o que faço. Espero melhorar recordes pessoais. Este ano. É difícil porque são marcas já com algum nível e o treino é pouco. Tenho a noção que é um objectivo ambicioso, mas ainda bem que é, porque a magia do atletismo está aí, “Em ultrapassar os limites”. Depois tenho o sonho de ainda representar a selecção nacional…
É esse o teu único sonho no atletismo? Ainda bem que me pergunta isso. Tenho um sonho e esperança de poder um dia saltar numa pista em Ribeirão para a minha família e amigos. Fico sempre triste quando digo e vejo nos jornais as marcas que faço porque sinto que não transmite a magia e a emoção que o salto tem... as pessoas até podem tentar imaginar um salto a 2.04m... mas é muito diferente de terem visto mesmo o salto. Fica aqui o meu desejo...
O que pensas do atletismo Nacional? É um mundo de heróis anónimos... que vive na sombra do desporto e que só é lembrada na altura das grandes vitórias. A sociedade em geral só dá o apoio e o reconhecimento da qualidade do atleta quando já se consagrou e alcançou marcas de nível internacional. Mas esse é o trabalho fácil, reconhecer talento quando já ele está comprovado, o desafio esta em reconhecer e apoiar potenciais talentos. No seguimento desta ideia fico também triste com os grandes empresários da nossa região que consideram um mau investimento apoiar e associarem-se a um clube como o CCDR que é um clube de jovens maioritariamente Ribeirenses, com ligações directas ou indirectas as suas empresas e que por isso deveria ser um factor de orgulho associarem-se a este grupo.
A prof. Alexandra referiu que és um atleta de grande talento que acredita que podes alcançar marcas de nível internacional o que pensas disto? Treino com essa convicção, e mantenho a esperança de comprovar essas expectativas. A motivação e o empenho existe, vou continuar a trabalhar e talvez em breve finalmente troque a camisola do CCDR... para vestir a da selecção.
Queres deixar uma mensagem para os jovens que praticam ou não atletismo? A mensagem que gostava de deixar é que seja qual for o desporto, e mesmo fora dele, não deixem de fazer as coisas porque são difíceis... quanto maior o desafio maior é a satisfação que retiramos dele. Um Bom Natal e um óptimo 2008 a todos os Ribeirenses. |
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