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Clube de Cultura e Desporto de Ribeirão | Segunda, 06 Fevereiro 2012
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Presidente da Junta de Ribeirão acusa vereador das Obras Municipais: "Incompetente e mentiroso" PDF Imprimir E-mail
Quinta, 30 Novembro 2006
ImageAs relações entre o autarca da Vila de Ribeirão, José Reis, e o vereador da Câmara Municipal, Jorge Carvalho, estão em rota de colisão. Em conferência de imprensa, o presidente da Junta não poupou criticas ao trabalho do vereador. Trabalho esse que tem, segundo o autarca, causado imensos problemas para com a Junta de Ribeirão, mais concretamente na área financeira. “Foi a pensar na população do concelho, nos meus colegas presidentes de junta que se encontram na mesma situação, e principalmente nos ribeirenses a quem tenho que dar provas do meu trabalho”, que José Reis decidiu tornar público “a incompetência deste vereador”.
Ao fim de 5 anos, e depois de “friamente” analisar todo o seu trabalho para com a Junta de Ribeirão, o presidente de Junta classifica Jorge Carvalho de “incompetente, mentiroso, homem sem palavra e mau gestor”.
Incompetente porque “não é capaz de resolver assuntos pontuais”. José Reis refere-se à iluminação pública, iluminação dos nichos, reforço na potência dos contadores de luz nas escolas, fiscalização em obras municipais, problemas em obras causadas pelos empreiteiros, entre outros. Pois “antes prefere que sejam os serviços da Câmara a resolve-los do que exigir dos próprios empreenteitos, trazendo dessa forma custos acrescidos para a Câmara”, acrescenta.
José Reis confirma mesmo que sobre todos esses assuntos falou com o vereador “várias vezes” através de oficios, telefone, e até pessoalmente, “só que se vão arrastando há vários anos”.
Assumindo-se cansado “desta desorganização constante”, o autarca apontou ainda um outro problema que está relacionado com os cantoneiros da Câmara que “sempre que fazem limpeza em Ribeirão, nunca terminam o trabalho, saem sempre a meio. Voltam passado um tempo, e saem de novo com o serviço por acabar. Dizem que são as ordens que têm”.
A “incompetência” do vereador é verificada ainda no que toca à Avenida 3 de Julho. Problemas que já se arrastam há dois anos, mas que continuam por resolver. Problemas da responsabilidade do empreiteiro “e aqui se verifica a falta de fiscalização dos serviços do departamento do vereador”. José Reis refere-se ao lençol de água causado pela chuva entre o estacionamento e as sargetas das águas que impedem as pessoas de entrar nos seus veículos sempre que chove. “É uma calamidade o que está a acontecer porque basta só rebaixar as sargetas”, sugere. Outro problema é a falta de guias rebaixadas nos passeios para uma melhor circulação dos deficientes-motoros e a falta de iluminação junto à rotunda da igreja e em Santa Ana, na ligação a Candeeira.
José Reis prossegue com os problemas. “Incompetente porque não resolve os problemas causados pela empresa que está a construir as piscinas municipais em Ribeirão”, referindo-se à entrada que apresenta lama ou pó, conforme faça chuva ou sol. Uma “calamidade”, pois por aquele local passam diariamente centenas de crianças que se deslocam para a EB 2,3. Também os moradores daquela zona são afectados. Trata-se este de um problema “que não impõe custos à Câmara, deveria apenas tomar uma posição, vir ao local e ver realmente o que lá se passa e obrigar a empresa a solucionar o problema”, sugere o presidente da Junta.

“Promete e não cumpre”
O ataque a Jorge Carvalho prossegue e desta vez José Reis acusa-o de “mentiroso porque promete e não cumpre. Porque promete e passados uns dias se esquece. Porque promete, manda fazer, assume e depois diz que não vai cumprir. Mentiroso porque manda fazer e depois não se lembra. Porque promete resolver e não resolve. Porque marca datas e não cumpre”.
O mais grave, segundo o autarca ribeirense, é que a maior parte das vezes o vereador “lamenta-se e refugia-se ao atirar a responsabilidade para o presidente da Câmara (...) dizendo que ele é que é o culpado, pois lhe retira as verbas do seu orçamento”. José Reis acredita que tudo isso seja mentira. Como também não acredita quando o vereador lhe diz que o presidente da Câmara evita que os protocolos cheguem à reunião de Câmara. A propósito de tudo isso, José Reis reafirma que “é tudo mentira”, sendo sim reflexo da má gestão do vereador.
Jorge Carvalho é ainda acusado de mentiroso porque “várias vezes” disse a José Reis que “estava farto de estar na Câmara e que se ía embora, que não precisava da Câmara para nada”. Ora “Senhor Vereador se está farto ou cansado da Câmara é problema que só você pode resolver. Você teria  que pensar antes de ter sido eleito, porque começar um compromisso e parar a meio por cansaço ou saturação só mostra que não estava preparado para tal responsabilidade”, refuta o autarca local.

“Homem sem palavra”
A “falta de palavra” por parte do vereador é outro dos problemas apontados por José Reis. E refere-se a trabalhos que estão parados desde 2001 por falta de dinheiro, trazendo grandes problemas à tesouraria da Junta. “Não tem palavra porque me deu autorização para que eu pudesse pavimentar algumas ruas e o problema é que volta atrás e já não cumpre com tudo isso e deixa-me mal para com todos os ribeirenses que vivem nesses locais”, acrescentando, “acaba sempre por dizer eu posso fazer ou poderei fazer. E depois acaba por me arranjar problemas na parte do pagamento”.
O presidente da Junta refere-se, novamente, a protocolos aprovados no Plano de Actividades que “o vereador impediu de serem levados a reunião de Câmara para serem assinados”. E mais uma vez, o vereador “acaba sempre por dizer que é o presidente de Câmara que evita que os protocolos cheguem à reunião de Câmara”. Mas mais uma vez o presidente de Junta não acredita nisso “porque houve sempre dinheiro para assumir os compromissos com os presidentes de junta no que respeita a protocolos”.
“Não tem palavra” porque assumiu trabalhos na 3ª fase da Avenida 3 de Julho e “agora diz que depois se vê”, referindo-se concretamente à construção de passeios junto às bombas de gasolina. “onde ele assumiu perante mim e perante o Presidente da Câmara (...) agora vamos ficar lá com uma vergonha, inclusive já tinhamos cedência dos moradores para fazer os passeios”, sublinha José Reis.
Perante todos estes problemas, José Reis lembra a Jorge Carvalho que “no tempo em que o vereador era o senhor Francisco Carvalho, precisamente no meu primeiro mandato, nunca tive este tipo de problema. E sabe porquê? Porque não prometiam, não mandavam fazer e não assumiam e assim não falhavam. Acabavam por ter palavra. E você é ao contrário: promete, assume e falha, acaba por não ter palavra”.

Autarca apoiado pelo partido
O autarca deixou bem claro que esta tomada de posição tem a ver “única e simplesmente” com a sua relação com o vereador das Obras Municipais “que nos tem prejudicado em coisas que para ele podem ser pequenas, mas para nós são grandes problemas. (...) E também que não pense que são as grandes obras que se fazem aqui que apaga todos os outros pequenos problemas que temos para resolver”.
O presidente da Junta lembra que este é já o seu terceiro mandato e que ao ser eleito pelo povo de Ribeirão tem responsabilidades perante ele. Por isso mesmo “vou nesta luta até for necessário. Todos os problemas financeiros causados por este vereador nesta Junta fizeram uma ferida profunda e eu lutarei pela cura fazendo o que for preciso por uma questão de justiça e de verdade”.
José Reis não pretende com esta exposição pública a demissão do vereador, mas que o mesmo “assuma uma vez por todas os problemas causados e páre de deitar culpas aos outros. Assuma a sua palavra, o que não fez até ao momento”. E acrescenta, “não tenho nada contra o partido, nem contra o presidente da Câmara, pois o que prometeu tem sido feito. (...) o problema é com um homem que está lá dentro e que diz que está cansado, revoltado, e que não quer saber”.
O autarca esclareceu ainda que deu conhecimento ao partido desta exposição pública, sublinhando, “eles têm que perceber que ao fazer isto não estou contra ninguem, estou apenas revoltado com um homem que não cumpre”.
Quanto a eventuais represálias que possa ter depois deste “ataque” ao vereador das Obras Municipais, José Reis assegura: “Hoje falo convosco (jornalistas), amanhã se houver represálias a meu respeito para com o povo de Ribeirão fica Portugal inteiro a saber!”.

José Reis vai recandidatar-se
Numa altura de esclarecimentos, José Reis aproveitou para manifestar a sua intenção de se recandidatar nas próximas eleições autárquicas, refutando “o que se diz por aí, entre outras coisas, que eu não quero saber da Junta de Freguesia pois é o meu ultimo mandato. Isso não é verdade”. E acrescenta, “faço-o pela Vila, pelo povo de Ribeirão, pelo projecto de Famalicão onde estou há nove anos com o partido ao lado do presidente da Câmara”. Por isso, quem pense em candidatar-se à Junta no próximo acto eleitoral saiba que “me vai ter como adversário político para bem da Vila de Ribeirão e para bem de todos os ribeirenses”, concluiu.

Jorge Carvalho desvaloriza “ataque”
O vereador das Obras Municipais já reagiu às acusações do presidente da Junta de Freguesia de Ribeirão. À imprensa, Jorge Carvalho começou por desvalorizar o “ataque”, argumentando com o rol de obras feitas e em curso na freguesia.  Revelou mesmo que outras freguesias do concelho ficaram desfavorecidas com o investimento feito em Ribeirão.  E refere-se às verbas investidas nas piscinas municipais, no relvado sintéctico do campo de treinos, nas obras da Avenida 3 de Julho e na biblioteca.
Em contra-ataque Jorge Carvalho pronunciou-se no que respeita ao modo de gestão do autarca de Ribeirão: “manda fazer obras e envia as contas para a Câmara Municipal”.
Quanto a eventuais atritos com o Presidente da Câmara, Jorge Carvalho lembra a José Reis o “excelente relacionamento” que tem (o vereador) com o edil.

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