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Principal Ribeirão “Dirijo várias equipas de trabalho excepcionais"
Clube de Cultura e Desporto de Ribeirão | Terça, 07 Fevereiro 2012 |
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“Dirijo várias equipas de trabalho excepcionais" |
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Quarta, 26 Dezembro 2007 |
 Pe. José Maia José Martins Maia, 65 anos de idade, natural de Ribeirão, Vila Nova de
Famalicão. Residente no Colégio dos Carvalhos, concelho de Vila Nova de
Gaia, cursou Teologia em Roma, é sacerdote e foi ordenado padre no dia
6 de Abril de 1969, em Roma.
Já desempenhou cargos importantes como Presidente das IPSS e Superior Provincial dos Missionários Claretianos em Portugal.
O que leva um homem a deixar pai, mãe e irmãos, para ser missionário? Naturalmente que o meu berço familiar teve um papel essencial na minha formação cristã; a este berço familiar, tive a sorte de ter um outro estímulo: o berço da Paróquia onde comecei muito novo a conviver com o altar, na forma de ajudante de missa (que hoje se chama acólito). Este convívio com o altar e a educação religiosa que eu e meus irmãos recebemos dos nossos queridos e inesquecíveis pais acabou por criar no meu imaginário um apelo muito grande para querer ser como o sacerdote que estava na nossa Paróquia, o Pe. António Lopes.
Recorda algum pormenor interessante da sua ida para o seminário? A circunstância de ter manifestado por mais de uma vez, tanto aos meus pais como à minha professora, D. Rosalina, a vontade em ir para um seminário fez com que os meus pais me levassem um dia a visitar a Irmã Alexandrina, a Balasar, para a informar desta minha vontade e pedir-lhe uma opinião sobre isto. Nem de propósito: semanas após esta ida a Balasar, passaram também por lá dois sacerdotes missionários da Congregação dos Claretianos: os Padres Pires Marques e o Pe. Esteves Luís. Informados pela Irmã Alexandrina de que havia na escola de Ribeirão um rapazito que queria ir para o Seminário, lá foram eles. Perguntaram se alguém queria ir para o seminário...tive algum receio em declarar-me interessado, mas lá arranjei coragem e disse: eu quero. E aí começou a minha história, a história da minha vocação à vida sacerdotal e missionária.
 Pe. José Maia
Pode-se dizer que perseguiu um sonho… Sempre que via o padre de Ribeirão a abrir e fechar o sacrário alimentava o sonho de um dia poder fazer o mesmo e poder dar a comunhão às pessoas! E lá consegui realizar o meu sonho. Graças a Deus e a uma protecção muito especial do Coração de Maria, apesar das dificuldades, que são sempre muitas, vi realizada a minha missão no mundo. Há uma canção que fiz, e que se inspirou na ideia que me ficou gravada, que serviu de base à razão de ser do meu sim a Deus. É assim o texto da canção/mensagem: “o que importa na vida não é ter um amor para si; /é preciso também ser amor para os outros”. E é precisamente este o lema que me tem ajudado a dar sentido à minha existência como sacerdote, missionário: “ser amor para os outros”. Pensando bem, foi nesta ideia/força que se foi construindo meu itinerário sacerdotal e missionário.
Tem sido missionário “cá dentro”… Fui andando por várias actividades pastorais, a começar pela formação no seminário, sendo professor no Colégio dos Carvalhos, nas Escolas Públicas nos Carvalhos. Depois, fui até à Areosa, no Porto, para, juntamente com outros claretianos e um equipa excepcional de leigos, nos metermos na aventura de, a convite de D. António Ferreira Gomes, fazermos uma Paróquia: a Paróquia de Nossa Senhora da Areosa.
A partir de certa altura começou a ser a voz dos pobres, dos excluídos… Aqui aprendi o que no seminário nunca me ensinaram: andar com atenção aos pobres, aos marginalizados, aos idosos em solidão, aos excluídos da sociedade. Foi num bairro, que ainda hoje é conhecido por maus motivos, o Bairro S. João de Deus, que aprendi muito do que hoje sei sobre as questões sociais. Esta experiência foi de tal modo marcante que me atirou para assumir muitas vezes posições sobre justiça social, pobreza, cidadania, valendo-me da comunicação social como uma grande aliada.
Habituámo-nos a vê-lo e ouvi-lo nos meios de comunicação social… Enquanto assumi funções de Presidente da União das IPSS em Portugal, tive de muitas vezes “queimar a cara” nos ecrãs das televisões em defesa das causas sociais. Depois de 14 anos nesta tarefa, regressei à Paróquia da Areosa e ao trabalho em vários bairros problemáticos na zona oriental da cidade do Porto. É aqui que continuo, acompanhado por boas equipas de trabalho, a lutar na defesa da dignidade humana que é negada a demasiada gente e que é urgente defender em nome do amor de um Deus que, através da parábola do bom samaritano, nos fez entender que o outro é a nossa alma gémea, ou outro lado de nós.
Já estará tudo bem actualmente? Acredito que ninguém conseguirá provar momentos de felicidade se, a seu lado, houver sofrimento, exclusão, solidão e pobreza!
Na sua vida ocupou cargos de relevo, ou seja, sempre teve uma carga de trabalhos… Dizem-me às vezes como é possível tocar tantos instrumentos... Costumo responder que não toco muitos instrumentos, embora admita que dirijo várias orquestras/equipas de trabalho que são excepcionais e, só por isso, muitos projectos sonhados acabam por se traduzir em benefícios para muita gente a quem procuramos servir.
Que “guerras” ainda quer travar? Assumo nesta última fase da minha vida este lema: falar dos homens a Deus e falar de Deus aos homens. |
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