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“Ensinou-nos a ser gente" |
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Sexta, 25 Janeiro 2008 |
 Mais de uma centena de pessoas juntaram-se no passado dia 12 para
homenagear Ercília Costa. Uma senhora que acaba de completar 90 anos de
vida, sendo que 42 deles dedicou-os ao ensino. E foram exactamente os
antigos alunos da professora Ercília que preparam toda a festa de
felicitações, mas principalmente de homenagem.
Depois da celebração de uma missa na igreja de Fradelos, teve lugar o almoço-convivio no salão paroquial local. A animação esteve a cargo de um grupo musical que com cavaquinhos prendeu a atenção de todos, principalmente da homenageada. A professora foi ainda presenteada, pelos alunos, com um ramo de flores, nomeadamente 90 rosas, e com uma salva. Para além dos alunos, estiveram ainda presentes amigos e familiares da professora que durante anos ensinou em Fradelos. Todos recordam a mulher e professora que foi em outros tempos. E há mesmo alunas que ainda se lembram da oração que diariamente a professora rezava juntamente com os alunos: “iluminai senhor a minha inteligência, dirigi a minha vontade, santificai o meu coração, fazei que eu seja um cidadão fiel e útil à pátria”. Recordam que era uma professora exigente, mas que “nos ensinou tudo o que sabemos hoje como mulheres (...) depois das aulas ensinávamo-nos lavores”, acrescentando uma aluna, “ensinou-nos a ser gente”. A própria professora explica: “Estou satisfeita com os resultados e esta presença aqui hoje quer dizer alguma coisa (...) falava-lhes de muita coisa que as mães não tinham tempo para falar, nem talvez conhecimento. Chamava-as à vida de rapariguinhas (...) o cuidado, a moral...”. Confessando ter muitas saudades do tempo em que leccionava, Ercília Costa assume que era uma actividade que lhe completava, acrescentando, “gostei imenso de dar e ensinar. Tudo o que sei e possa transmitir aos outros, isso dá-me prazer. Não procuro troca, sinto-me bem em dar-me”. Perante centenas de alunos, a quem lhes está muito agradecida pela homenagem, a professora revela sentir-se “responsável pela formação de muita gente que aqui está hoje, e ao mesmo tempo sinto uma certa vaidade do trabalho que fiz”. E acrescenta, “com esta homenagem estou sentir-me felicíssima porque eu preciso de me sentir rodeada de pessoas, não é bem para conversar, mas para ouvir conversar. Tenho prazer imenso de ouvir falar. Com este barulhinho todo estou encantada. Este frufru, esta conversa. Sinto-me mais viva do que estando só ou isolada. Agrada-me. (...) Quase que nem acredito que estou a viver isto”. Revela-se orgulhosa dos seus alunos, pois “vale a pena trabalhar com amor. O que fiz, fiz sempre com muito amor”. E como professora define-se: “aquela que gosta de cumprir o dever com amor e com cuidado (...) vendo as crianças como pessoas adultas e não como meninos que estão a crescer”
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