| |
Principal Ribeirão “Teatro na Hora”: uma riqueza cultural
Clube de Cultura e Desporto de Ribeirão | Segunda, 06 Fevereiro 2012 |
|
|
| |
|
“Teatro na Hora”: uma riqueza cultural |
|
|
|
|
Domingo, 02 Março 2008 |
10 anos de teatro amador, 10 anos de palco. O Grupo “Teatro na Hora”,
pertencente ao Clube de Cultura e Desporto de Ribeirão (CCDR), está a
comemorar uma década de existência. Muitas personagens encarnadas,
muitos risos e até lágrimas. Mas tudo a fingir ou se calhar não.
O jornal Viver a Nossa Terra esteve à conversa com dois actores do
grupo, António Almeida e Marco Sá, onde um dos assuntos pertinentes foi
o último êxito do grupo – “Conta-me a história de um boémio”. Mas muito
mais houve para partilhar acerca do teatro amador.
“Como diz um grande amigo nosso, Amador é aquele que ama o teatro”, começa António Almeida, defendo que é mesmo essa a perspectiva do grupo, “amar e cada vez mais querer fazer melhor”, apesar das limitações e dificuldades inerentes ao teatro amador, tão sentidas pelo grupo ribeirense. Insistem que são um grupo amador, mas de amador muito pouco tem, para muitas pessoas que já assistiram, o ultimo trabalho do grupo - “Conta-me a história de um boémio”. Marco Sá, autor da peça, explica que essa visão poderá advir do facto de ser uma peça com vários pormenores muito mais trabalhados, aspectos técnicos mais aprofundados. Muito estudo, como refere, “procuramos saber melhor como trabalhar, como as coisas se movimentam, como se expressa, como se fala”. Foi talvez a única peça que não foi preparada “na hora”, ao contrario do que vêm fazendo. Ora, “o teatro não é só subir a um palco. (...) Há muito para saber acerca”, acrescenta o actor. “Conta-me a história de um boémio” é uma peça para um público e um palco versátil. E o profissionalismo que muitos viram na peça está, para António Almeida, também relacionado com as condições em que a mesma foi apresentada e ensaiada. Desde o palco da EB 2,3 de Ribeirão, ao salão paroquial, ao Centro de Estudos Camilianos. “É este criar de condições que tornam as coisas cada vez melhor”, sublinha o actor. E lembra que Ribeirão precisa de um espaço que reúna todas as condições necessárias, não só um palco, mas também uma boa sala para acolher o público. Apesar do profissionalismo evidente no último trabalho, insistem em não reconhecer, directamente, que se sentiram como actores profissionais. Marco Sá prefere achar que os actores sentiram uma responsabilidade diferente porque sabiam que estavam a fazer um trabalho diferente. Se por um lado não havia grande nervosismo, devido à forte preparação dos actores, por outro lado, o arrepio esteve lá, mas também sentido de forma diferente, pelo menos para o autor da peça, “sabia que não estava simplesmente a fazer um sketch, senti que as pessoas estavam agarradas à peça. (...) as próprias reacções do publico fez com que ganhássemos mais confiança e fizéssemos melhor”, e dentro disto, “sentimo-nos mais profissionais”.
Desafio ou desafios Por tudo isso, “Conta-me a história de um boémio” podia ser o grande desafio do grupo em 10 anos. Mas não foi. António Almeida prefere sublinhar que houve um outro grande desafio, “o começar do grupo”. O nervosismo era total, as dúvidas também. Para o actor, o segundo grande desafio, e ultimo até ao momento, apresenta-se como a “prova de foi importante termos começado. (...) As dificuldades iniciais traduziram-se agora em êxito”. Já Marco Sá não tem dúvidas em reconhecer que a ultima a peça foi um grande desafio, na medida que serviu para unir um grupo que estava “um pouco afastado”, mas também para fazer algo diferente do habitual nos últimos tempos e que se resumia a sketchs, animações, festas. Esta peça foi assim “um ressuscitar do grupo para fazer um projecto maior. Foi um desafio a todos os níveis (...) Estávamos ansiosos por tudo isso, e nesta medida foi um desafio”.
Formação: uma aposta “Tentar incutir o gosto de novo para continuar e pensarmos num novo projecto. Isto criou uma base nova para continuarmos, criando a vontade de fazer mais”, palavras de Marco Sá a propósito da ultima peça e que revelam já a vontade do grupo em continuar a trabalhar e fazer mais e com mais qualidade, como frisa, “a qualidade a partir daqui só pode subir”. Mais qualidade, mais formação. Uma das batalhas do grupo “Teatro na Hora” é apostar cada vez mais na formação. Por isso mesmo valorizam o facto de um dos elementos do grupo frequentar um curso de formação de actores, “o que é importante porque o conhecimento e experiência passamos de uns para os outros”. Marco Sá defende a importância da formação para haver progressão e para que as pessoas percebam que fazer teatro “não é simplesmente ir para cima de um palco e fazer duas palhaçadas”. O teatro tem regras, tem muito que se saber. “Já começamos a ter um pouco esse espírito e estamos a incutir isso mesmo nos que se relacionam connosco”, acrescenta o actor. Na linha da formação, António Almeida destaca a necessidade e preocupação que o grupo tem em “se auto-formar, ler sobre, pesquisar, contactar outros grupos...”, pois só com a conjugação destes factores, ou seja, “melhorar a formação e qualidade de cada um de nós enquanto actores, melhorar a formação de quem dirige as questões da roupa ou da encenação, melhorar todas estas condições (...) é que os projectos serão sempre muito mais aliciantes para nós”. A formação deverá ainda se estender ao público, “para que as pessoas tenham uma sensibilidade cultural”. Já Marco Sá defende que “é preciso criar nas pessoas uma mentalidade sobre o que é o teatro”. Outra aposta do grupo é formar novos actores que queiram integrar o grupo. “Uma equipa que ganha não se mexe, reforça-se”, esta é perspectiva para o futuro, reforça António Almeida, manifestando assim a vontade do grupo em acolher novos actores. Para além dos jovens do grupo Duques & Cenas, da EB 2,3, que “já iniciaram a caminhada no teatro e que podem continuar no nosso grupo”, após terem concluído o 9º ano, o “Teatro na Hora” está aberto a outros potenciais actores. O importante é que “o novo elemento venha com muita vontade e disponibilidade para trabalhar”, reforça Marco Sá. Independentemente da experiência que já trazem, o importante é que “o nosso grupo esteja forte para os receber e eles sintam que vale a pena continuar a caminhar no teatro, que têm uma saída para continuar a representar”, acrescenta António Almeida. Além disso, só com a presença de novos actores, será possível ao grupo concretizar um dos seus grandes projectos – Teatro Revista. Por isso quem estiver interessado em integrar o grupo, poderá contactar a sede do CCDR e fazer a sua inscrição.
Riqueza cultural em Ribeirão Dez anos de teatro amador, dez anos de riqueza cultural em Ribeirão. A opinião é unânime aos dois actores. António Almeida explica, apontando a mais valia do teatro, ou seja, a capacidade de “estruturar a personalidade das pessoas”, acrescentando, “o teatro é uma riqueza cultural no sentido de ajudar as pessoas a formarem-se enquanto pessoas”, e porque “quanto melhor formados formos enquanto pessoas, melhor vamos ser para quem se relaciona connosco”. E nesse sentido, acrescenta o actor, “vamos apresentar melhores peças, vamos criar públicos mais fiéis, vamos formar pessoas que querem fazer teatro”. A riqueza cultural está ainda “na participação das pessoas que se envolvem, ou porque querem fazer parte do grupo ou porque vêm ver as peças” Já Marco Sá começa por reconhecer que “a cultura já esteve pior do que está”, sublinhando que há cada vez mais pessoas a apreciar a cultura e suas varias vertentes. “Mas mesmo assim ainda é muito artificial”, lamenta, “o dia a dia das pessoas não as deixa aperceber das varias manifestações culturais em seu redor”. Porém, o actor não tem duvidas que “havendo teatro numa terra, é tanto riqueza em Ribeirão, como noutro lugar qualquer do mundo. (...) Era importante que as pessoas se habituassem a cultivar a cultura, ou seja, ir ao teatro, a uma exposição, para que a actividade tenha êxito e se volte a repetir”. E remata: “o Teatro na Hora é uma riqueza na área da cultura em Ribeirão, como qualquer grupo é uma riqueza em qualquer lado do país ou do mundo. Tudo o que sejam actividades culturais nunca são demais”. |
|
|
| |
|
| |
|
|
| |
|
|
| |
|
| |
 |
|
Clube de Cultura e Desporto de Ribeirão. Todos os direitos reservados.
|