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Principal Fradelos “Todos nós podemos dar um pouco do nosso tempo”
Clube de Cultura e Desporto de Ribeirão | Terça, 07 Fevereiro 2012 |
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“Todos nós podemos dar um pouco do nosso tempo” |
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Terça, 22 Abril 2008 |
 Mário Costa Neste mês de Abril, “Viver a Nossa Terra” na rubrica “na primeira
pessoa” conversou com Mário Costa, residente em Fradelos, que nos falou
do seu trabalho em favor do próximo.
Viver a Nossa Terra - Talvez para algumas pessoas mais jovens, não seja uma pessoa muito conhecida. Afinal quem é Mário Costa? Mário Costa - Só mesmo os mais jovens poderão não me conhecer. Sou uma pessoa comunicativa, gosto de estar sempre onde se aprende algo e em toda a faixa etária da população de Fradelos, há motivos e momentos espectaculares para o fazer, assim, penso que toda a gente conhece o Mário Costa ou mais conhecido por Mário Castela. “Castela” é uma alcunha que vem dos meus avós paternos para a qual já ouvi várias versões, mas na verdade, não sei a sua origem. A juventude é também uma característica da minha personalidade, tenho muita admiração pelos jovens e gosto de aprender com eles, este sentimento quero e pretendo manter vivo até ao fim dos meus dias. Mas para quem não me conhece sou um ser humano como tantos outros, que prezo as coisas boas da vida, gosto do desporto, gosto de um bom filme, gosto de trabalhar em grupo e sobretudo gosto de estar com a família. Para além disso, sou Empresário, tenho responsabilidades na gestão do executivo da Junta de Freguesia, sou membro do Conselho Económico e de outros grupos e associações da Freguesia quer Civil ou Religiosa.
VNT - O que faz mover um homem que durante todos estes anos tem trabalhado em prol dos outros? MC - É difícil de explicar, isso é algo que se sente, é algo que nasce connosco, é uma constante na minha vida contribuir para que o meu próximo viva sempre melhor. Ainda muito jovem, o meu pai chegou ao pé de mim e disse-me: “Vais substituir-me na Conferência Vicentina”. A educação que assimilei dos meus educadores e o participar na conferência de S. Vicente Paulo, foram sem dúvida, um marco importante na minha forma de estar na sociedade. Conheci simples valores de solidariedade na obra Frederico Ozanam, que em muito engrandece o meu coração de valores e princípios morais que posso pôr ao dispor da melhoria e bem-estar de muitas pessoas carenciadas. “É o sentir de poder ser útil” em qualquer circunstância, é saber que em cada acção realizada contribuo, para alguém se sentir mais feliz.
VNT - Tem valido a pena este(s) trabalho(s)? Porquê? MC - Sim, vale sempre a pena, quando trabalho justamente por uma causa, seja ela qual for, de menor ou maior importância. Faço-o porque me sinto bem, quando vejo um sorriso de alegria numa pessoa que sofre, quando estendo a mão a uma criança que liberta um sorriso, entre muitas outras acções de solidariedade, fico muito feliz por isso.
VNT - Quer-nos contar algum episódio curioso que o tenha marcado pela positiva e/ou pela negativa numa destas áreas? MC - Quando da minha passagem pelo Movimento de Jovens, resolvemos formar um grupo de teatro amador com a intenção de angariação de fundos para o nosso Movimento. A peça era um drama e tinha por título “Mataram um Actor”. O elenco era formado por apenas Jovens da Paróquia e tínhamos como ensaiador, o meu amigo, Sr. José Silva. Foi uma peça que esteve em cena várias vezes no salão da Casa do Povo e teve duas saídas também com muito sucesso à Junqueira, freguesia de Vila do Conde. Foi um dos muitos momentos bons. Pela negativa e ainda sobre este grupo de teatro. Tinhamos uma actuação num dia próximo e um dos actores estava hospitalizado para ser submetido a uma pequena cirurgia. A nossa preocupação era imensa uma vez que o papel desse actor era imprescindível. Então há que fazer uma visita ao doente no Hospital. Éramos um grupo de seis jovens e todos queríamos visita-lo. Nessa altura o acesso ao Hospital era muito restrito, então eu pedi à Conferência Vicentina os cartões que nos davam acesso livre à entrada, mas como esses cartões não chegavam para todos resolvemos subir alguns e depois logo que chegássemos à enfermaria atiraríamos os cartões pela janela, para subir a restante equipa. Mas por azar, os cartões ao ser lançados pela janela foram direitinhos à janela da administração do Hospital. O caldo estava entornado e senti que estava a vandalizar o bem tão precioso à revelia dessas entidades. E pensava eu: como vou chegar junto da Conferência e dizer que os cartões de visita foram apreendidos pelo Hospital. Não tive alternativa, juntamente com um colega pedi para falar com a Administração e contamos todos os pormenores, estes perceberam o nosso estado de ansiedade e com um sorriso disfarçado entregaram-nos os cartões. Jamais esquecerei este episódio.
VNT - Como empresário sente que há pessoas que dependem de si, da sua capacidade de empresário? MC - Sou Empresário desde 1989 e ao longo destes anos, fui criando postos de trabalho, um a seguir a outro, e em cada funcionário tenho um companheiro de trabalho. A minha motivação diária é transmitir valores e princípios de uma equipa coesa com um único objectivo: o melhor para a empresa. Só assim podemos assegurar o nosso futuro, claro que para mim é uma constante preocupação o bem-estar de todos os funcionários. Um dos conselhos que sempre dou é que o emprego é a nossa segunda casa, onde adquirimos o nosso rendimento e, sobretudo, a satisfação pessoal, portanto, em primeiro lugar devemos estar bem com o que se passa em nossa casa, se assim for, conseguimos transpor para o nosso local de trabalho mais energia, mais alegria, mais sentido de humor, logo vamos contagiar os nossos colegas, e dessa relação sai o fruto de dezanove anos de empresa.
VNT - Tem sido fácil, gerir os destinos da paróquia? MC - Faço parte de um grupo de sete elementos que trabalha afincadamente no sentido de gerir bem os destinos da paróquia. É com satisfação que faço parte do Conselho Económico e que vejo grandes obras realizadas, tais como a pintura e acabamentos interiores da Igreja, a remodelação da capela-mor, a pia baptismal, a remodelação da torre, a pintura exterior. Tudo obras que eu considero que ficaram lindíssimas e um bem-haja ao Padre Delfim que liderou a execução deste excelente trabalho. Para todas estas obras terem sido possíveis, contamos com o apoio de todos os paroquianos que foram incansáveis em contribuir, por isso também eles se sentem orgulhosos em pertencerem a esta casa, que é a casa de Deus. Também aqui queria agradecer às Empresas, Associações, à Junta de Freguesia e à Câmara Municipal, que tiveram papel importante também tiveram com as suas ajudas.
VNT - E o trabalho na conferência vicentina… ainda há pobres em Fradelos? MC - Já falei bastante da Conferência Vicentina, mas se me pergunta se ainda há pobres em Fradelos, infelizmente tenho que dizer que sim, e penso que será uma realidade para o resto da vida, até porque sabemos que há vários contextos de pobreza. Actualmente, não sou um membro activo deste Movimento, desta forma não posso falar dos trabalhos efectuados na actualidade. Mas deixe-me só dizer isto: Espiritualmente é das acções mais gratificantes que alguma vez tive. Visitar um doente ou qualquer outro necessitado, que está à espera da visita da Conferência Vicentina, e lhe deixamos um conforto, uma palavra amiga, ou um conselho, e ver que esse alguém ficou melhor, e que contribuí para isso é muito gratificante e enriquecedor, e claro agradeço, porque vale a pena.
VNT - Com todos estes trabalhos ainda tem tempo para fazer parte da comissão de festas de Santa Leocádia? MC - Santa Leocádia de Fradelos, nossa Padroeira. Um dia alguém se lembrou que deveríamos venerar a nossa Padroeira, assim foi, e porque o dia da Padroeira é venerado em tempo de Advento, entendeu-se comemorar esse dia no terceiro fim-de-semana do mês de Novembro. Ultimamente e por motivos das obras realizadas na paróquia, as festas em veneração à Santa Leocádia têm sido reduzidas a menos festividades, conforme a disponibilidade financeira advindas dos peditórios. Até agora temos mantido sempre pelo menos a parte religiosa, com uma banda de música sempre presente. Acho que é o essencial para venerar a Santa Leocádia, Padroeira de Fradelos.
VNT - E o trabalho desenvolvido quer na ACR Jovem, quer na Associação de Pais deu fruto? MC - Na ACR Jovem foi uma experiência inesquecível, foram muitos e bons momentos de juventude, muitos dos paroquianos se lembram certamente das reuniões de sala cheia, onde clareávamos assuntos que afligiam os jovens na altura. Tivemos muitos convidados especiais a falar para os nossos jovens nas reuniões gerais. Fizemos muitos trabalhos de grupo com temas importantes dos anos 80, para os jovens, sempre escolhidos com a ajuda do assistente espiritual, o Rev. Padre Francisco. Também tínhamos um passeio anual, como já referi criamos um grupo de Teatro Amador, arranjamos um espaço para uma sede, formamos um grupo de futebol de salão. Foi muito gratificante pertencer a este grupo. Na Associação de Pais, deu-me muito prazer fazer parte de uma equipa fundadora da APESF – Associação de Pais da Escola do Souto de Fradelos, a convite do corpo docente desta escola e de alguns pais. É muito importante para a escola contar com uma Associação de Pais a trabalhar em pleno, só assim pode proporcionar melhorias a quem utiliza este espaço. Esta escola está equipada com uma boa biblioteca, onde os alunos podem usufruir das novas tecnologias informáticas. Há vários convívios e comemorações de datas importantes para a escola, participações em visitas de estudo, enfim parabéns a esta associação que está agora a dotar a escola com computadores em todas as salas de aula e a contribuir com melhor qualidade de vida a quem frequenta a escola. Está agora a ser equipada com ar condicionado. Um bem-haja para a actual direcção que muito tem trabalhado e proporcionado aos seus educandos uma melhoria contínua nas condições para o seu desenvolvimento intelectual. Estas crianças podem-se orgulhar por terem uma das melhores escolas do concelho. Espero que as saibam aproveitar para benefício próprio.
VNT - Como tem visto a evolução, a todos os níveis, que a freguesia de Fradelos tem tido nos últimos anos? MC - Antes de mais gostava de dar os parabéns ao nosso Presidente de Junta e, dar os parabéns porque é um presidente incansável no trabalho desenvolvido na Freguesia. Não se poupa a esforços para conseguir os seus objectivos, é de louvar ver um presidente a trabalhar com uma máquina de terraplanagem nas obras do novo cemitério, é gratificante vê-lo a bater porta a porta para conseguir um alargamento de uma estrada, é admirável vê-lo percorrer os corredores da câmara à procura de mais e mais para Fradelos. È bom vê-lo aplicar de forma muito digna o tratamento que tem com todos os cidadãos e com todas as associações. Fradelos tem um grande presidente e eu orgulho-me de fazer parte da equipa dele, neste executivo. A evolução que Fradelos tem tido nestes últimos anos está à vista de todos os Fradelenses, é para eles que trabalhamos.
VNT - Que sonho gostaria de concretizar ou ver concretizado em Fradelos? MC - Muitos sonhos. Como diz o poeta: o sonho comanda a vida e quando o Homem sonha a obra realiza-se. Gostava de ver todas as ruas alcatroadas, estamos no século XXI e acho que já é impensável ter que andar nas ruas de Fradelos cheias de pó ou lama consoante as condições atmosféricas. Gostava de ver a conclusão do alargamento do cemitério e o arranjo urbanístico de toda a zona envolvente ao cemitério. Gostava de ver um relvado sintético no campo de Futebol do Grupo Desportivo de Fradelos, pois acho de extrema necessidade para dar uma ocupação e motivar a nossa juventude para a prática do desporto. Enfim, muitas outras necessidades há em que Fradelos se encontra muito carenciado. Farei todos os possíveis para melhorar a qualidade de vida das gentes da minha terra.
VNT - A personalidade da sua vida. MC - Maria de Azevedo Carneiro.
VNT - O filme da sua vida. MC - O Poder dos Sentidos.
VNT - O livro da sua vida. MC - O Diário de Anne Frank.
VNT - Local que gostaria de visitar. MC - Israel.
VNT - Local onde gostaria de viver. MC - Gosto de viver em Fradelos.
VNT - Que mensagem quer deixar aos leitores do “Viver a Nossa Terra” e particularmente aos habitantes de Fradelos? MC - Todos nós podemos dar um pouco do nosso tempo em benefício do próximo pois existem muitas organizações onde podemos ser úteis. Se pensarmos um pouco, vemos que uns minutos diários ou até períodos de tempo que não nos fazem falta, e sempre podemos ajudar alguém, de certeza que nos faz bem. Muita saúde para todos os leitores. Victor Ribeiro |
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