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Clube de Cultura e Desporto de Ribeirão | Terça, 07 Fevereiro 2012
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Sexta, 27 Junho 2008
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Pe. António Araújo Oliveira
Desde a sua gratidão a Deus por o ter escolhido, à procura por parte da humanidade de um sentido para a sua existência, António de Araújo Oliveira, sacerdote ribeirense e missionário claretiano, fala-nos “na primeira pessoa” de Deus e dos homens. “Viver a Nossa Terra” - O Pe. António ordenou-se sacerdote - missionário Claretiano - há quantos anos?
António Araújo Oliveira - Foi há 38 anos. Dia que nunca se esquece. 17 de Maio de 1970. Ordenado sacerdote pelo Cardeal Cerejeira, na época Patriarca de Lisboa, amigo da família pelo facto de ter sido colega do meu tio Mons. Abílio Araújo, tanto no Seminário como na Universidade de Coimbra.

VNT - O que leva um homem a deixar pai, mãe e irmãos, a deixar tudo e ser missionário?
AAO - A vontade de Deus passa pelos condicionalismos da vida e através de mediações humanas... Hoje vale o meu sentimento: sempre grato a Deus porque me chamou.

VNT - Recorda algum pormenor interessante da sua ida para o seminário?
AAO - Primeiro, fui arrastado pelo exemplo dos párocos de Ribeirão e pela admiração que sentia por dois sacerdotes da família: Mons. Abílio Araújo, reitor do Santuário do Sameiro e que faleceu neste Colégio em que me encontro, tio pelo lado materno; e pelo lado paterno, o Pe. Manuel de Azevedo Oliveira, arcipreste de Vila Nova de Famalicão.

VNT - E do tempo que por lá passou…
AAO – Primeiro entrei para o Seminário de Braga. Pouco depois passei para o Seminário dos Carvalhos. Fui por acaso visitar um primo meu que já lá estava e fiquei fascinado pela amizade e proximidade do relacionamento dos sacerdotes com os seminaristas. Um ano antes, abordado por um missionário Claretiano, tinha recusado o convite (afirmando na altura):
“Não gosto de usar barbas e tenho medo dos leões da África”!

VNT - No seu tempo de estudante havia muitos seminaristas Ribeirenses… Que é que tem de mudar, as mentalidades ou o paradigma de pastor?
AAO - Sim. Naquela altura, no Seminário dos Carvalhos chegou haver quinze (15) seminaristas de Ribeirão! Os tempos são outros, sem dúvida. A Igreja passa por uma mudança de época. Nada será como dantes. Mas o apelo de Cristo continuará a ressoar na Igreja e muitos jovens responderão generosamente ao Seu apelo.

VNT - Que é preciso para motivar os jovens, hoje?
AAO - O Papa Paulo VI dizia há muitos anos, em célebre documento, que “os mestres admiram-se, mas as testemunhas arrastam”. Faltam testemunhas do evangelho a arrastar para Deus.

VNT - Nas missões, em Angola, envolveu-se muito com a Unita. Afinal Savimbi era o “mau da fita”? Foi necessária a sua morte para haver paz…
AAO - Sempre senti fascínio pelas missões e pedi, logo que fui ordenado sacerdote, para ir para Angola, onde a minha Congregação missionária tinha aberto recentemente novo posto missionário. Estive lá poucos anos — apenas três e meio — mas foi um período emocionante, no leste de Angola no meio duma guerra cruel onde Jonas Savimbi, fundador da UNITA, tinha o seu quartel -general. Cedo me relacionei com ele, porque o missionário é enviado para todos e não aceita fronteiras. Durante anos esperei que ele fosse uma alternativa democrática e humanista para Angola. Mas nos últimos anos foi uma decepção! Os amigos da primeira hora, como foi o meu caso, foram-se afastando não sem antes avisar que era um combate sem futuro.

VNT - Depois dessa experiência já longínqua nunca mais sentiu a “tentação” de partir?
AAO - Visitei Angola muitas vezes. A princípio, convidado por Savimbi para a sua base militar, na Jamba. Depois, a convite do Presidente Eduardo dos Santos. Mas sempre estive ligado a Angola através de apoio às missões católicas, aos refugiados da guerra, recebendo neste Colégio estudantes angolanos que vêm estudar para as universidades de Lisboa.

VNT - Como se sente no “fato” de director do Colégio Universitário Pio XII há tantos anos?
AAO - É uma vida! Já estou neste Colégio desde 1983 e sou Director há 22 anos. É um trabalho evangelizador e estimulante. A educação — não a instrução, note-se — é uma das prioridades da missão da Igreja, pois procura a educação integral dos jovens universitários e a evangelização da cultura. Lidar com a juventude universitária é sempre um desafio.

VNT - Em concreto, o que precisa de mudar na Igreja em Portugal, na sequência da visita dos nossos Bispos ao Vaticano?
AAO - O que precisa de mudar na Igreja em Portugal? O nosso país está integrado num espaço mais amplo a que chamamos mundo, ocidental. É este mundo secularizado, materialista, dominado pelo ateísmo prático que tem de ser objecto duma nova evangelização. É uma época, como dizia João Paulo II, dramática e fascinante. Parece que, está de costas para Deus, mas procura um sentido para a existência.

VNT - O que lhe apraz dizer acerca do facto de S. Tomé e Príncipe ter um Bispo Claretiano e por sinal muito jovem?
AAO - O facto de, pela primeira vez, haver um bispo da minha congregação Claretiana em S. Tomé e Príncipe é consequência lógica dum trabalho missionário em profundidade que vem sendo desenvolvido desde 1927. Hoje temos uma Igreja jovem, consolidada e aberta a outras áreas que necessitam de evangelizadores.

VNT - E o facto do presidente da Congregação para a Causa dos Santos ser também Claretiano…
AAO - O Cardeal Saraiva Martins, pela sua estatura de pastor e intelectual, honra a Igreja portuguesa e os Missionários Claretianos. Estes, à frente dum dicastério romano ou anunciando o evangelho na selva africana ou amazónica, cumprem o mesmo mandato missionário de S. António Maria Claret: anunciar o Evangelho por todo o mundo.

VNT - Como ribeirense atento e observador à distância, como vê a evolução da nossa vila e da nossa paróquia nos últimos anos?
AAO - Tenho orgulho na nossa terra de Ribeirão e acompanho com alegria o desenvolvimento material e humano a que vimos assistindo nestes últimos anos. Como homem da Igreja, sinto-me honrado por pertencer a uma paróquia com uma pastoral modelo. Aqui, devo salientar e prestar homenagem aos párocos que passaram por Ribeirão verdadeiros pastores, dedicados, cultos, sempre atentos às urgências pastorais.

VNT - A personalidade da sua vida.
AAO - Jesus de Nazaré.

VNT - O filme da sua vida.
AAO - África Minha.

VNT - O livro da sua vida.
AAO - A minha vida.

VNT - Local que gostaria de visitar.
AAO - Sonhos concretizados.

VNT - Local onde gostaria de viver.
AAO - Paraíso perdido.

VNT - Que mensagem quer deixar aos leitores do “Viver a Nossa Terra”?

AAO - Ler e apoiar o nosso jornal, pois informa, mobiliza e defende os interesses de Ribeirão.
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