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Na primeira pessoa, com Cândido Santos: "Gostava de ver um órgão de tubos na nossa Igreja" |
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Domingo, 28 Setembro 2008 |
 Cândido Santos Desde muito cedo começou a brincar com o piano. A partir dos 14 anos entusiasmou-se e começou a tocar na igreja um harmónio que praticamente estava sempre calado. Sucederam-se os convites das paróquias vizinhas e tornou-se praticamente o organista da região. Candido Santos, na primeira pessoa...
Viver a Nossa Terra - Talvez para muitas pessoas, não seja uma pessoa muito conhecida. Afinal quem é o Sr. Cândido? Cândido Santos - Estou reformado, gosto de ser responsável, pontual; um pouco tímido, muito solidário e com algumas ambições.
VNT - Sendo natural de Guidões, reside em Ribeirão há mais de três décadas. Qual motivo o levou a vir viver para cá? CS - Antes nunca pensei que pudesse vir a viver em Ribeirão. A verdade é que isso aconteceu. A minha mulher é natural de cá e as mulheres têm muita força, por essa razão moro nesta terra há 37 anos, com muito gosto porque estas gentes sempre me receberam bem, com carinho e respeito.
VNT - No entretanto, começou a trabalhar com 9/10 anos... CS - Comecei a trabalhar muito cedo. Naquele tempo aqueles que faziam a escola primária (porque muitos nem isso faziam) o que os esperava era trabalhar na construção civil e no campo. Foi o que aconteceu comigo, aos 11 anos fui ajudante de trolha até aos 14 anos e a partir dessa idade fui aprender uma arte que gostava.
VNT - Que recordações guarda dos tempos de tropa em Moçambique? CS - Relativamente ao tempo de tropa, fiz a recruta e a especialidade de Clarim e ao fim de 9 meses fui mobilizado para Moçambique e lá estive 27 meses, passando bons e maus momentos. Recordando apenas os bons eu tinha uma especialidade que me ajudou a passar a maior parte do tempo naquilo que gostava. Aprendi a tocar viola e formamos um grupo com outros camaradas que tocavam e cantavam e assim passamos parte da comissão levando música e boa disposição aos nossos camaradas espalhados pelos vários pontos de Moçambique.
VNT - Talvez por ter um irmão Padre regente de um coro, o bichinho da música mordeu-lhe... CS - Tenho um irmão Padre e sabe muita música. Foi com ele que aprendi a tocar piano e órgão, mas penso que o bichinho que nos trouxe o gosto pela música vem do meu avô que era um grande músico de banda. A conversa com ele, meu avô, tinha que passar pela música.
VNT - Durante alguns anos tocou piano/órgão como um autodidacta... CS - Desde muito cedo comecei a brincar com o piano porque o tinha em casa, mas só a partir dos meus 14/15 anos é que comecei a aprender com mais entusiasmo e com método. Fui começando a tocar na igreja um harmónio que praticamente estava sempre calado. A partir daí e como tocava na igreja de Guidões, minha terra, comecei a ser mais conhecido e a ter convites de paróquias vizinhas. Era praticamente o organista da região.
VNT - Até que a qualidade o “obrigou” a dividir-se pelo coro da capela Sra. das Dores e por outras capelas vizinhas... CS - Entretanto veio a tropa e estive quase 3 anos sem tocar. Quando voltei continuei novamente no mesmo ritmo que tinha antes. Convidaram-me para fazer parte do Coro da Capela de Nossa Senhora das Dores (Trofa), fiz parte deste grupo até casar e muito depois de ter casado e mudado para Ribeirão, que foi em 1971.
VNT - Mas a primeira vez que apareceu na televisão foi com o coro de Ribeirão e depois Lousado? CS - A primeira vez que estive nos estúdios da televisão foi com o Coro de Ribeirão e mais tarde com o Coro de Lousado.
VNT - O que faz mover um homem que durante os últimos 35 anos tem sido organista domingo após domingo? CS - É gostar muito de música, de Grupos Corais, e pensar que com a minha ajuda possa completar e engrandecer as celebrações da nossa igreja, desde pequenino gostava de ouvir as músicas cantadas.
VNT - Que recordações tem das guitarras e castanholas dos 4 Apóstolos (grupo a que pertenceu nos anos 60)? CS - Os quatro Apóstolos. Foi uma passagem da minha vida. Tenho muitas recordações desse grupo romântico, que durou 4 anos, fizemos muitos espectáculos na nossa região. Ainda tenho algumas gravações de algum reportório, muito baseado nos cantores desse tempo, Roberto Carlos e Adamo.
VNT - Tendo acompanhado as diversas alterações da nossa paróquia (igreja nova, demolição da casa paroquial) ainda existe algum sonho que gostaria de ver concretizado? CS - Sim tenho acompanhado, e participado sobretudo nos peditórios pela freguesia. O que gostava imenso de ver no meu tempo concretizado, era um órgão de tubos da nossa igreja, para dar ainda mais beleza às celebrações.
VNT - A personalidade da sua vida. SC - João Paulo II.
VNT - O filme da sua vida CS - “Bem-Hur”.
VNT - O livro da sua vida. CS - Alguns, mais propriamente “O afinador de pianos” de Daniel Mabon (Romance).
VNT - Local que gostaria de visitar. CS - Não tenho preferência.
VNT - Onde gostaria de viver? CS - Estou bem.
VNT - Quer deixar alguma mensagem aos leitores do “Viver a Nossa Terra”? CS - Que leiam e divulguem, porque o jornal é um amigo que devemos defender, porque ele defende o interesse da Nossa Terra |