Principal arrow Ribeirão arrow Na primeira pessoa, com Libório Silva: "O CCDR é a menina dos meus olhos"
Clube de Cultura e Desporto de Ribeirão | Terça, 07 Fevereiro 2012
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Na primeira pessoa, com Libório Silva: "O CCDR é a menina dos meus olhos" PDF Imprimir E-mail
Sexta, 31 Outubro 2008
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Libório Silva
Libório Ribeiro da Silva é uma personalidade ribeirense que não passa despercebido. Empresário de sucesso, autarca com iniciativas inovadoras, promotor do desporto e do associativismo desde a primeira hora, Viver a Nossa Terra dá-o a conhecer aos seus leitores. “Viver a Nossa Terra” – Para aquelas pessoas que não o conhecem, quem é o Libório Silva?
Libório Silva – Não seria a melhor perguntar a quem bem me conhece? Há conterrâneos nossos que ainda me tratam por Liborinho!

VNT - Que recordações guarda do “café da D. Aurora” (sua mãe), pioneiro da televisão em Ribeirão?
LS – O “Café Marginal”, nome dado por estar ao lado da estrada nacional foi mais uma criatividade minha. Mais tarde passei-o aos meus pais. Tenho um certo sabor quando me lembro que instalei lá a televisão (quando colocaram a antena da Lousã) – em 1958.
Ainda não havia na zona televisões e foi um sucesso, vinha gente de todos os lados! Era interessante ver o pessoal que vinha dos campos, isto no Verão, paravam a meio da estrada a ver televisão com as sacholas viradas para trás e os carros também tinham que parar! Também não eram muitos…

VNT – Muito jovem ainda, iniciou a sua participação cívica nesta terra. Como nasceu a célebre equipa de voleibol de que foi um dos fundadores? Que impacto teve nessa época o êxito dessa equipa?
LS – Desde muito novo pratiquei desporto. Primeiro na Escola Primária de Santa Ana – Souto. Depois no colégio onde estudei (Póvoa de Varzim), e na Mocidade Portuguesa e depois durante o serviço militar. Com essas experiências entusiasmei rapazes do meu tempo e então criámos o Clube Desportivo de Ribeirão – Prática de Voleibol. Marcávamos o campo, comprávamos as equipas e pagávamos as deslocações! Ainda hoje me admiro de tanta carolice! Acho que foi uma semente que germinou mais tarde, especialmente no CCDR. O impacto foi tal que ainda hoje muita gente se recorda, apesar de terem passado muitos anos.

VNT – Ser Presidente da Junta no início da década de oitenta era um desafio bem diferente do que é hoje… Do trabalho que realizou nessa função de que mais se orgulha? Nessa época houve alguma obra ou iniciativa que gostaria de ter concretizado?
LS – Sempre pensei que em determinada altura devemos colaborar nas Autarquias. É até uma obrigação cívica! Apesar de estar muito ocupado profissionalmente aceitei ocupar o lugar do Presidente da Junta, durante um mandato.
Fui também membro da Assembleia Distrital (Representante das juntas do concelho) e membro da Assembleia Municipal. Sempre pensei que não se deve “cristalizar” nestes lugares (pois entra o desleixo e o deixa passar). Assim procurei promover o possível e organizar os serviços devidamente, dando a dignidade que devem ter as Instituições Públicas.  Fez-se o impossível e o impensável nesse período, devido à escassez de fundos. Construiu-se a Sede da Junta; a Casa Mortuária; renovou-se a iluminação pública, arranjaram-se pisos, ruas, etc. Iniciou-se o crescimento para a promoção de Ribeirão a vila (o que na altura muita gente considerava impossível!). Enfim, conseguimos que Ribeirão fosse uma terra em movimento e que as pessoas reparassem no seu progresso. Foram lançadas sementes para que a nova terra atingisse o seu actual estádio de vida! Quando acabou o mandato entendia que haveria muito a fazer no futuro. Fui para casa com vontade de ficar!

VNT – Foi uma das pessoas que se empenharam noutros tempos pela construção de uma piscina em Ribeirão. Como se sente neste momento em que o sonho se concretiza?
LS – A nossa piscina foi um sonho de há muitos anos. Trabalhamos muito para isso. Só com a actual Administração Camarária foi possível concretizá-lo. Lentamente Ribeirão vai tendo aquilo a que tem direito. Porém, temos de continuar e ser exigentes para que se possam promover outras melhorias a que temos direito.
Não pode haver abdicação nem cansaço! Temos em Ribeirão muita gente capaz de continuar a servir a sua terra. Será preciso dar-lhes oportunidade. Não deve haver lugares vitalícios quem levam ao desinteresse e ao amolecimento.

VNT – Ribeirão é Vila há 22 anos… Poderá um dia ser concelho?
LS – Não alimento a veleidade de Ribeirão a concelho. Precisamos sim é de ser bem representados e até possivelmente termos um vereador só para a nossa terra.
Tenho muito orgulho em ser ribeirense/famalicense/minhoto. As realidades não se devem confundir com fantasias e de fantasias anda o mundo cheio…

VNT – Foi um dos sócios fundadores do CCDR e Presidente da Assembleia Geral até ao presente. Como surgiu a ideia de fundar esta associação? Como aprecia o trabalho desenvolvido na actualidade, no contexto desta vila?
LS – O CCDR é a menina dos meus olhos. Tudo quanto seja voltado à juventude sadia tem o meu apoio. Felizmente um grupo de bons ribeirenses viram a necessidade de desenvolver a ideia. Hoje é o que se vê. Temos o atletismo, a música, o teatro, o jornal, etc. O CCDR tem elevado o conhecimento e a admiração de muita gente, que me telefona a dar parabéns.  Fico muito orgulhoso quando assisto a provas de atletismo e ouço o nome de Ribeirão ao lado do Porto/Benfica/Sporting, etc.

VNT – É um empresário de sucesso no contexto actual como fundador e administrador da SASIA. Qual é o segredo para transformar um simples armazém de desperdícios numa empresa de nível internacional na área da reciclagem têxtil?
LS – Acreditar, persistências, trabalho, honestidade. Poderia alongar-me sobre este assunto, mas seria muito extenso. Os quatro itens que indico são a chave do sucesso de qualquer investidor.
Quando comecei a trabalhar os tempos eram diferentes. Estavamos em 1952. Guerra da Coreia. Depois veio a Guerra do Vietname, as Colónias, o problema do Golfo Pérsico, a crise petrolífera – 1973, o 25 de Abril, etc. Todos estes acontecimentos geraram crises. A que estamos a passar é mais uma; para mim a pior. No entanto foi com este endurecimento de vida que a afirmação se fez sentir. Não é fácil ser empresário impoluto. Pagar a tempo e horas aos colaboradores, aos fornecedores, os impostos, etc., sem haver quebras durante 56 anos. Foi uma caminhada! Mais uma razão: nós temos que receber depois de todos os outros. Ser o último é muito difícil! É uma filosofia de vida! Ser ou não ser…

VNT – A personalidade da sua vida.
LS – A minha mulher (brindou-se com seis deliciosos filhos).

VNT – O filme da sua vida.
LS – “Les uns et les outros” – (A saga dos Judeus).

VNT - O livro da sua vida.
LS – Gosto imenso de ler o Eça de Queiroz.

VNT – Local que gostaria de visitar.
LS – Antártida

VNT – Local onde gostaria de viver.
LS – Onde vivo – Ribeirão.

VNT - Quer deixar alguma mensagem aos leitores do Viver a Nossa Terra?
Aos leitores do “Viver a Nossa Terra” desejo que tenham oportunidade de o lerem e comentarem, pois considero que dos jornais regionais é dos melhores. É um orgulho para Ribeirão termos um conjunto de personalidades que o valorizam com os seus artigos.
É importante que se contribua com assinaturas, anúncios, etc. Gostar, também é colaborar.
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