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Clube de Cultura e Desporto de Ribeirão | Segunda, 06 Fevereiro 2012
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Na primeira pessoa, com Reinaldo Fernandes Lopes PDF Imprimir E-mail
Sábado, 24 Janeiro 2009
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Reinaldo Fernandes Lopes

Reinaldo Lopes, um ribeirense de coração, com grande sensibilidade cultural e uma vasta experiência nos meandros da política nacional, conta-nos algumas das suas vivências e recorda-nos facetas já esquecidas da nossa terra de meados do século passado. Viver a Nossa Terra - Talvez para as gerações mais jovens, não seja uma pessoa muito conhecida. Afinal quem é Reinaldo Lopes?
Reinaldo Lopes - Acho que poderá retirar a dúvida expressa no seu “talvez”.
Sou mesmo um desconhecido. Efectivamente, eu tornei-me conhecido em Ribeirão nas décadas de 40 e 50 do século XX!
É verdade: sou quase “um antepassado” – como ironizava Eça de Queirós a respeito de Afonso Maia.
A partir de 1958 passei a viver e a trabalhar em Lisboa.
As curtas vindas a Ribeirão, nas férias, não podiam contribuir para que as camadas mais novas me conhecessem. Obviamente.
Quem sou eu?!...
Ora – e lá volto eu ao grande Eça (numa das suas cartas para Ramalho Ortigão):
“Os dados para a minha biografia não os sei dar. Eu não tenho história sou como a República do Vale de Andorra”.
Se o maior romancista português assim falava, que posso dizer eu?!
Mais a sério, e não sei se um pouco imodestamente, direi que sou uma pessoa apaixonada pela cultura, que passou toda a sua vida a estudar… e quase toda a sua vida a ensinar. Felizmente que tive um largo campo de acção para “contagiar” outros: poucas pessoas terão trabalhado com tanta gente, em tantos ministérios. Fui chefe de muitas dezenas de pessoas, em muitos departamentos, durante dezenas de anos, e isto permitiu-me transmitir saber, cultura e vontade de aprender mais.
Sou professor diplomado para o ensino do Português, do Latim, do Grego e de Filosofia. Mas, durante quase 50 anos, ensinei sempre… fora das escolas (com excepção de 2 ou 3 anos, logo no inicio da vida activa).
Muita gente diz que aprendeu comigo. Até Ministros!...
Graças a Deus.

VNT - A ligação de Reinaldo Lopes a Ribeirão começou há muitos anos ainda no tempo do Pe. António Lopes. Quer recordar como começou esta ligação?
RL - A minha ligação a Ribeirão teve o seu início em meados da década de 40 (1940, claro!), quando o meu irmão Padre António Lopes veio (após Fafe e Pevidém) paroquiar Ribeirão. Durante as férias do Seminário de Braga, eu passei a conhecer Ribeirão. A conhecer e a gostar de Ribeirão, já nessa época era uma grande e admirada terra.
O meu irmão era um extraordinário padre e foi um extraordinário pároco de Ribeirão. Amou muito esta paróquia e posso dizer-lhe, a si que não o conheceu (é tão jovem ainda), que foi esta a paróquia que mais o marcou. Sinto até uma certa mágoa de não ver na toponímia da vila uma pequena recordação do seu nome.
O meu amigo Maurício Sá Couto já em tempos fez idênticos reparos. Aliás, era grande a amizade que os unia.
Mas isso é outro assunto, e voltemos ao tema da sua pergunta:
A minha ligação a Ribeirão reforçou-se definitivamente quando há quase 50 anos, liguei a minha vida à de uma senhora de Ribeirão, a minha mulher, Maria de Lourdes. Os mais antigos recordarão seus pais, designadamente aquele enorme “filósofo” Abel Serra! A sua sabedoria e sagacidade lembram-me “O Malhadinhas” de Aquilino.
Depois, embora morando e trabalhando em Lisboa, aqui decidimos fazer casa. Sou também de Ribeirão, pelo coração.

VNT - Mais tarde fez a sua carreira profissional na administração pública, em lugares de grande responsabilidade, como por exemplo...
RL - Eu não queria passar estes momentos todos a vangloriar-me (nem isso fica muito bem), mas terei de lhe dizer que não sei se mais alguém terá tido o privilégio de conhecer por dentro tantos Ministérios e de neles ter contactado com tanta gente.
Fiz uma óptima carreira nos Ministérios da Justiça e das Finanças.
Neste último adquiri, durante anos, profundos conhecimentos em Contabilidade Pública, em Contas Públicas e Orçamentologia. Dali “transbordou” uma certa fama, que me levou a ter sucessivos convites de outros lados. E assim, do Terreiro do Paço lá passei para o Mº. da Educação. Depois, o Gabinete do Ministro quase me “forçou” a ir chefiar os seus serviços administrativos. Fui chefe de repartição do Gabinete do Ministro da Educação (que por vezes também o foi da Cultura, do Desporto, da Investigação Cientifica), durante 15 anos.
Depois estive no Ministério dos Negócios Estrangeiros, assessorando o Ministro, por exemplo, durante a primeira presidência portuguesa da União Europeia. O Livro da Presidência foi todo visto por mim antes da sua impressão. Quem diz “visto”, diz corrigido aqui e ali, na sua redacção. E do Palácio das Necessidades passei para outro palácio: o de São Bento.
E quando, já com mais de 36 anos de serviço, me dispunha a pensar na aposentação, “não me deixaram” dar esse passo. Foi em fins do Verão de 1995 que me chegou o telefonema:
- Não. Não se reformará nada e não se comprometa com mais ninguém. Nós precisamos de si e da sua enorme experiência e dos seus conhecimentos. Onde? No Gabinete do Primeiro-Ministro.
E pronto. Lá estive 6 anos e meio.
Inicialmente assessorando e depois como adjunto administrativo do Primeiro-Ministro António Guterres, até à mudança de Governo, em 2002. Outra extraordinária experiência, graças a Deus, e esta mesmo lá em cima, nas cúpulas da vida politica nacional. Lembro-me de naqueles dias candentes da crise de Timor Leste (aquela inesquecível paragem de todo o país, às 3 horas da tarde!), António Guterres receber telefonemas do Presidente Clinton. E a agudíssima crise resolveu-se, Timor é um país da nossa comunidade. São, ou não, gratificantes recordações?! Momentos inesquecíveis!

VNT - Nas funções que desempenhou privou de perto com importantes personalidades da nossa vida política. Quem mais o marcou e porquê?
RL - Diz bem. Foi um extraordinário privilégio ter conhecido e privado de perto, durante dezenas de anos, com tantos membros do Governo, e ter contribuído, no domínio das minhas competências (administrativas), para o melhor funcionamento dos seus gabinetes. Era estimulante ver que os textos, que saíam do meu punho geralmente iam ser publicados nas páginas do Diário da República apenas com uma “modificação”: a aposição, no fim do meu texto, da assinatura do ministro, ou , nos últimos anos, do primeiro-ministro!
Conheci, como diz, importantes personalidades. Tantos ministros!...
Pude ser um elo de ligação entre os gabinetes ministeriais que se iam sucedendo, nalguns tempos tão instáveis. Alguns foram ministros de passagem, como Luís Veiga da Cunha ou Loyd Braga. Tenho no meu arquivo pessoal, entre muitas coisas interessantes, uma quadra do Ministro Roberto Carneiro (bom amigo!) que começa assim:
“Ministros passam, o Reinaldo permanece,
Com a sua Arte de bem escrever”.
Assim funcionei, como elo de ligação.
É difícil responder-lhe dizendo quem me marcou mais. Mesmo assim, dar-lhe-ei alguns nomes de marcantes homens de Governo:
O Ministro Roberto Carneiro (o ministro-dos-nove-filhos!), com a sua enorme bagagem cultural, o seu carácter impoluto, a sua formação impar.
O Ministro João de Deus Pinheiro (Ministro da Educação, Ministro dos Negócios Estrangeiros e, depois, Comissário Europeu), com a sua extraordinária inteligência e a sua visão aquilina dos problemas, sem falar do seu altamente refinado humor (que, por vezes, era bem malandreco). Já eu estava a trabalhar no Gabinete do Primeiro-Ministro quando ele me propôs que o fosse ajudar nos fins de tarde, à Universidade onde ele foi Reitor (após Bruxelas).
O Primeiro-Mnistro António Guterres, homem de grande talento e de espírito profundamente cristão (desde a Acção Católica, na sua juventude). Sempre achei incompreensíveis os “pontapés” que levou de figuras da Igreja, principalmente aqui do Norte, na altura única em que, finalmente, havia chegado ao poder uma figura que era simplesmente o líder (aportuguesemos o anglicismo) da ala católica do Partido Socialista, depois de tantos anos de predomínio de outras correntes daquele partido tão plural.
“Enfim, é a vida!” – como ele costumava desabafar. Recordo também a enorme falta que lhe fez a grande senhora que foi a Dra. Luísa Guterres! O primeiro-ministro não voltou a ser o mesmo, após a sua morte! Está agora a desenvolver um excelente trabalho de missão a favor dos refugiados do mundo, repetindo imagens da sua juventude, em bairros-da-lata de Lisboa.
Quero, finalmente, lembrar aqui, se me permite, o ministro poeta José Augusto Seabra, depois nosso embaixador em Paris (UNESCO), em Nova Deli. Bucareste e Buenos Aires. Agradeço-lhe por me “atacar” quase todos os dias, com aquela invariável pergunta-provocação: Então? Tem feiro muita poesia? Ah! Não? Pois olhe que não podemos ser “poetas-bissextos”!...
Penitencio-me hoje aqui, mais uma vez: tenho sido, realmente, bastante “bissexto”. Perdoa-me, poeta, no Além onde estás.

VNT - No geral as pessoas nem sempre têm o melhor conceito da seriedade dos políticos. Pensa que têm razão?
RL - Eu não sou ingénuo a ponto de dizer que não há nenhumas razões para  “as pessoas” (como se diz) terem formado esse negativo conceito. Pois é. Infelizmente tem-se visto tanta coisa!... Mas nos patamares (altos patamares) onde me situava desde os anos 70, nunca observei situações que pudessem fundamentar essa má fama. E relativamente aos membros do Governo de quem estive próximo, posso pôr as mãos no lume. Sem medo. Acreditem.
Vem-me à memória, como paradigmático, o caso de um dos primeiros Ministros da Educação, junto de quem trabalhei: um ministro da Educação que, talvez poucos saibam, esteve quase a “pular de ME para Primeiro-Ministro de um daqueles Governos de iniciativa presidencial: Vítor Crespo. Era tal a sua simplicidade, era tal a sua seriedade, que uma vez tive de me “impor”, para que ele aceitasse um processamento de ajudas de custo a que tinha direito, numa viagem oficial ao estrangeiro. Se ele tinha direito, eu, nos termos legais, tinha o dever de efectuar ou mandar efectuar o processamento. Contrariado aceitou.
Voltando ao âmago da sua pergunta: claro que a Administração Pública é muita vasta. Outros departamentos serão lugares de maiores “tentações”. E, além da A. Central, também há a A. Local… e o diabo, às vezes, anda por lá, activo. E os “fumos” aparecem. Infelizmente.
Devemos todos procurar que as faltas de seriedade, em qualquer âmbito dos vários órgãos de soberania sejam descobertas e que todas as desonestidades sejam exemplarmente castigadas. Como em Espanha já se tem visto. E aqui pouco (ou nada).

VNT - De forma simples e rápida que balanço faz das transformações por que o país passou nestes anos após 1974 que o senhor acompanhou muito de perto?
RL - “De forma simples e rápida”, como me pede, isso é que será mais difícil, tantas, e às vezes tão radicais, foram as transformações.
Deixe-me ver se selecciono algumas ideias:
Primeira ideia: Sou do tempo em que a História de Portugal, de António Matoso, adoptada durante muitos anos no ensino secundário, nos contava, de forma festiva, elogiosa e até apologética (qualidades que destoam da noção de ciência histórica), que Portugal já possuía 25 kms. de auto-estrada, de Lisboa a Vila Franca, e mais 8 km. de Lisboa ao Estádio Nacional. Pasmem os mais jovens, vocês que até já ouviram criticar que o País tem auto-estradas a mais, vocês que sabem que, nisso, batemos quase todos os outros países do ocidente desenvolvido.
Segunda ideia: Há 50 anos para se fazer o ensino secundário, tinha de se alugar um quarto em Braga, ou ir de camioneta todos os dias para lá ou para o Porto. E agora? É ali. Mesmo ali.
Terceira ideia: Na minha aldeia natal, antes de 1974, tinha direito a voto apenas uma mulher (devido aos seus rendimentos). E agora? Todas as que lá habitam.
Quarta ideia: Comparem o número de alunos (por exemplo, os de Ribeirão) que frequentavam o ensino superior antes do 25 de Abril, com o número dos que lá andam hoje. Incomparável, não é?
E, se eu não estivesse já a pisar o risco que me traçou (“forma simples e rápida”), eu falaria da democracia (que os nossos partidos às vezes afastam do ideal ateniense), da cultura, da abertura à informação (até com os consabidos abusos), do acesso à saúde, especialmente naquele enorme progresso da mortalidade infantil, e da redução do analfabetismo (eu fui para o Ministério da Educação nos tempos das campanhas de Veiga Simão, mas o grande progresso (ainda insuficiente) deu-se após o 25 de Abril. Abissal a diferença!

VNT - Nas suas funções acompanhou e ajudou de perto algumas pessoas a resolver problemas da nossa terra. Quer recordar?
RL - E se eu aproveitasse esta sua sétima pergunta para poupar no tamanho em que já vai esta entrevista? Pouparia de igual forma em auto-elogios, que já vão desmesuradamente longos, Não? Direi então, somente, que procurei ajudar a “desencravar” ou a  conferir mais celeridade aos processos e, quando se podia, a valorizar os contributos orçamentais para as obras. A paróquia tem disso conhecimento. A Associação Cultural, Recreativa e Social (Moinho do Vento) também.
Em outros assuntos de menos vulto, dei, com muito gosto, outras ajudas. Dada a minha ligação à Igreja, outros párocos aqui da Diocese me procuraram nos meus tempos dos Ministérios da Justiça e das Finanças (com processos relacionados com os bens outrora retirados às paróquias). Tudo modestas ajudas, que nem merecem menção.

VNT - E a sua paixão pela poesia ainda se mantém? Não pensa publicar?
RL - A paixão mantém-se, indubitavelmente. Mas como disse atrás, e voltando ao curioso adjectivo do ministro-poeta José Augusto Seabra, tenho sido algo “bissexto”. Tenho muita poesia, já encadernada em vários volumes, mas sem publicação ainda. Veremos.

VNT - Como vê a evolução de Ribeirão desde os tempos da sua juventude?
RL - Se concordarmos em pôr de lado os casos de crescimento explosivo das terras da cintura de Lisboa (Odivelas, Loures, Almada, linha de Sintra e linha de Cascais), bem como das terras que se situam na cintura do Porto (Gaia, Gondomar, Valongo, Matosinhos, etc.), teremos de afirmar que, a norte do Ave, Ribeirão é um caso de enorme crescimento e expansão. Talvez não haja igual.
O seu desenvolvimento comercial e, principalmente, industrial, tem sido impressionante, consequentemente, também é acentuadíssimo o seu crescimento urbanístico, especialmente, (e sabe-se porquê) nos lugares mais periféricos. E, vá lá, digamos que, para já, sem grandes atropelos. Lembremo-nos do lugar de Candeeira há 50 anos. Vejamo-lo agora. Que transformação!...
Há 50 e tal anos quase não havia indústria em Ribeirão. A relativamente pequena fábrica Rio Ave e as 2 pequeníssimas fábricas de botões (Albertino e Cândido Sousa) preenchiam todo o quadro industrial de Ribeirão. Os brinquedos da fábrica do Senhor Teixeira? Pronto, acrescentemo-la também.
E hoje o que se vê? Uma explosão! Deus queira que a crise possa passar aqui sem fazer grandes estragos.
Os mais velhos dos leitores lembram-se que nos anos 50 (fim da guerra) havia em Ribeirão apenas 2 automóveis: o do Senhor Aurelinho (usava-se este carinhoso diminutivo), cuja cor e cujas linhas o assemelhavam, de certa forma, aos carros desportivos, e o velho táxi Citroën “arrastadeira” do Preguiça (perdoem-me o respeitoso uso da alcunha, já não me recordo do seu nome).
Vá-se agora às imediações da igreja paroquial à hora das missas dominicais! Que tal?!
Eu não queria encerrar este atraente tema sem lhe contar o seguinte: gosto muito de admirar Ribeirão (e o resto do colorido vale) do alto da Senhora da Alegria, em Ferreiros, ou da extremidade sul do enorme parque de estacionamento pertencente ao empreendimento “Lago Discount”.
Já todos lá subiram? E pararam para admirar?
Subam também até ao miradouro do alto de São Gens.
Fiquem lá um pouco, a apreciar, em dias de Sol, as variadíssimas tonalidades do verde dos campos entremeado com o casario da grande cidade que cresce lá em baixo, nas duas margens do Ave: Trofa, Ribeirão, Lousado! Já não se distinguem os antigos limites!
Claro que a peculiar divisão administrativa desde há muito tempo criada (concelhos, distritos e até províncias diferentes) tornaria difícil, talvez onírica, uma eventualmente sonhável unificação. Vejam-se até os conhecidos casos de Lisboa – Almada e de Porto – Gaia.
Apesar de as escalas serem abissalmente diferentes (e, já sei, de o Rio Ave nada ter de semelhanças com o enorme Danúbio), mesmo assim, numa tarde do passado Verão, eu dei por mim, lá no alto de São Gens, a lembrar-me do fenómeno de união entre Buda e Peste: a esplendorosa capital da Hungria, de que tanto gosto!

VNT - Que sonho gostaria de concretizar ou ver concretizado em Ribeirão?
RL - Eu acho que vou fugir ao óbvio campo das obras públicas e ao do incrível congestionamento da Nacional 14 (onde tanto combustível se gasta diariamente, e que só será resolvido quando também o for o do igualmente incrível problema do centro da Trofa).
Vou antes sonhar que em Ribeirão tinham acabado as “guerrilhas” por tudo e por nada, as politiquices de algibeira que geram inimizades e ressentimentos, as tentativas de abafamento dos que não estão no mesmo alinhamento (por vezes mediante a ocupação tentacular de todos os espaços vitais). Que bom seria! E, até, que não se fosse perdendo o antigo hábito de as pessoas se saudarem nas ruas. Já não se diz “bom dia” a ninguém!... É preciso “arejar” esta grande terra, não perder a saúde do olhar frontal e a simpatia do sorriso amigo.
É. Eu gostaria que, em vez do sonho, caminhássemos para uma efectiva realidade. E, como Miguel Torga, gritar: Abram as janelas! Deixem entrar o ar!

VNT - A personalidade da sua vida
RL - João Paulo II.

VNT - O filme da sua vida.
RL - O velhinho “Os Dez Mandamentos” de Cecil de Mille e o menos velhinho “Apocalipse Now”.

VNT - O livro da sua vida.
RL - Literatura portuguesa: “Os Maias”, do Eça.
Literatura universal: “Os Irmãos Karamazov” e “Crime e Castigo”, ambos de Dostoievsky.
Ninguém costuma incluir as epopeias universais: Os Lusíadas, a Ilíada, a Odisseia. Porquê?  Porque simultaneamente também foram livros de estudo?... É estranho, mas cai-se nisso facilmente. Eu também caí agora.

VNT - Local que gostaria de visitar.
RL - O Extremo Oriente, designadamente China e Japão.

VNT - Local onde gostaria de viver.
RL - Vivo, com suficiente agrado, há 50 anos, ali à vista do “Tejo ameno”, do Terreiro do Paço e de São Bento, dois lugares onde passei bons tempos. Mas também é com imenso prazer que passo agora bastante tempo em Ribeirão, esta linda terra que dá as “boas-vindas” a quem entra na mais mimosa província de Portugal.

VNT - Quer deixar alguma mensagem aos leitores do “Viver a Nossa Terra”?
RL - Neste inicio de ano, faço votos para que Ribeirão tenha a especial bênção, de não sofrer muito com o temido 2009. Incólume, ninguém talvez fique, mas que os estragos não afectem muito a vida de todos os seus habitantes. Deus o queira. Bom ano para todos.
Victor Ribeiro
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