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Principal Ribeirão Na primeira pessoa com Iolanda Torres
Clube de Cultura e Desporto de Ribeirão | Terça, 07 Fevereiro 2012 |
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Na primeira pessoa com Iolanda Torres |
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Terça, 24 Março 2009 |
 Iolanda Torres Há já alguns anos que o Agrupamento de Escolas de Ribeirão tem como “responsável máximo” a Prof. Iolanda Torres. Numa época de grandes convulsões nas escolas, conversámos com a actual presidente do conselho executivo, acerca da sua experiência como professora em Ribeirão e do futuro que se avizinha.
Viver a nossa Terra – Certamente que no tempo da sua juventude, os tempos eram outros... Porque escolheu ser professora? Iolanda Sobral Torres - Sempre disse “Quando for grande, quero ser professora”. Nas minhas brincadeiras, a simulação de uma aula era uma constante e a professora era sempre eu. Por isso, nunca passei pela angústia de não saber que área deveria escolher, pois a minha opção estava definida há muito tempo - ser professora. Tenho o privilégio de fazer aquilo que gosto, por isso o trabalho é sinónimo de prazer.
VNT – Entende que o papel do professor/educador é bem diferente ontem e hoje? IST - Completamente diferente. Noutros tempos, o professor desempenhava apenas o papel de transmissor de conhecimentos. Este “dava aulas”, expunha a matéria e os alunos ouviam atentamente não ousando questionar o professor que era o detentor de toda a sabedoria. Vivíamos numa sociedade estratificada, onde tudo estava pré-definido, não se assistindo a mudanças significativas; tudo era perfeito, nada era posto em causa. Todos eram “felizes”. No contexto do mundo actual, esta situação não tem qualquer enquadramento. O professor, além de transmitir conhecimentos, tem que preparar os seus alunos para a vida activa; procurar meios e estratégias que desenvolvam o espírito de iniciativa e de autonomia dos jovens. As suas práticas pedagógicas têm que estar voltadas para o desenvolvimento de valores humanos, como a responsabilidade, a solidariedade, a justiça…Prepará-los para serem bem sucedidos num mundo que é muito competitivo e exigente.
VNT – Quer-nos contar algum episódio curioso que a tenha marcado na sua carreira de docente? IST - Ao longo do tempo, tenho vivenciado muitas situações que me têm deixado marcas indeléveis. Não me ocorre um episódio que seja merecedor do meu destaque.
VNT - Provavelmente tem acompanhado a evolução do ensino. Agrada-lhe o estado actual? IST - O ensino atravessa uma grande crise, pois assiste-se a uma forte desmotivação dos alunos e a responsabilidade recai no professor que não ensina, no aluno que não estuda e também recai sobre os pais que não acompanham os filhos. Penso que a culpa recai sobre o sistema social que temos vindo a construir. Agora valoriza-se a vida fácil, o consumismo, a superficialidade, em detrimento do trabalho, do esforço e do sentido de responsabilidade. No entanto, sabemos que sem trabalho, sem sacrifício não se consegue o sucesso. Por outro lado, os jovens sentem uma grande insegurança relativamente ao seu futuro profissional, o que os leva a perder a confiança nas suas capacidades, revelando desmotivação face à escola. É urgente que os jovens encarem a escola como um local de trabalho e de esforço, que é determinante para a construção de um projecto de vida que visa o sucesso.
VNT - Nestes anos que tem vivido como responsável do Agrupamento de Escolas de Ribeirão que mudanças significativas nota nos nossos jovens? IST - Os jovens, conforme já referi, sentem-se inseguros, desprotegidos face ao futuro, e manifestam uma grande rebeldia que se traduz, muitas vezes, num conflito permanente com a escola. Claro que estas situações perturbadoras do normal funcionamento da instituição são geridas com mais facilidade sempre que os pais se predispõem a colaborar com a escola, com o objectivo de ajudar os filhos a integrarem-se na escola de forma saudável cumprindo com os seus deveres.
VNT – Como avalia o empenho dos pais na escola como primeiros interessados na educação dos filhos? Ou a educação “é mesmo só para os professores”? IST - O processo educativo só é bem sucedido se for partilhado com os pais, pois a educação e a aprendizagem não se confinam ao contexto escolar. A escola não pode actuar isoladamente, deve dividir responsabilidades com a família. Os pais são os primeiros educadores, a escola dá continuidade e consolida o processo educativo dos alunos, contando sempre com o envolvimento activo dos pais. A família é o pilar que dá consistência, segurança e bem-estar aos jovens. Um dos grandes problemas da actualidade é a forma egoísta como se resolvem os problemas que emergem no seio familiar. Às primeiras contrariedades, a solução passa a residir na separação, para que cada um possa viver livremente a sua vida, esquecendo-se dos prejuízos morais que estão a causar aos seus filhos, pois o seu referente é a família. Este conceito começa a sofrer grandes alterações, dando lugar a revoltas nos jovens que se sentem inseguros e que não conseguem encontrar esse equilíbrio na família.
VNT – Que leitura faz da luta dos professores relativamente à avaliação? Os alunos têm sido prejudicados? IST - Os professores nunca prejudicaram os alunos pelo facto de estarem a desenvolver lutas que visam devolver à escola tranquilidade e ambiente propício ao desenvolvimento do seu trabalho. Os professores lutam por uma mudança de políticas educativas que sejam exequíveis, justas que traduzam com imparcialidade o trabalho realizado por estes profissionais.
VNT - E o novo modelo de gestão/direcção que está a ser implementado, trará mais vantagens? Qual a importância da participação da comunidade na gestão da escola? IST - Este novo modelo de gestão cria a figura de director que passará a ser eleito por um Conselho Geral formado por representantes da comunidade local, da autarquia, pais, pessoal docente e não docente. O director assumirá, por inerência de funções, o cargo de Presidente do Conselho Pedagógico e a faculdade de designar os responsáveis pelas estruturas de gestão intermédia. Na minha opinião, já havia lideranças fortes que imprimiam dinamismo e com continuidade de trabalho no último modelo de gestão. Receia-se que estes poderes concentrados na figura do director não sejam usados da melhor forma. Eu estimo que esta situação não se verifique e que se continue a trabalhar pela excelência da Escola.
VNT - Provavelmente a Prof. Iolanda será uma das possíveis candidatas a directora… IST - Há um trabalho começado ao qual deve ser dada continuidade.
VNT - Como gostaria de ver a escola de Ribeirão? Novas instalações? Novas ofertas educativas? IST - Uma Escola com espaços suficientes para a prática lectiva e não lectiva, pois, neste momento, dada a sobrelotação, tem sido muito difícil gerir os espaços físicos. Também anseio pelo Centro Escolar que integrará as escolas de Santa Ana, Portela e Aldeia Nova e o Centro Escolar de Lousado.
VNT – Trabalhando há vários anos em Ribeirão, já se sente uma Ribeirense (por adopção)? IST - Dado o envolvimento que tenho com Ribeirão, claro que me sinto integrada nesta comunidade, tendo adoptado Ribeirão como “Minha Terra”.
VNT - O que pensa da evolução que por cá vai havendo? IST - Tem-se assistido a um grande desenvolvimento da Vila de Ribeirão, querendo realçar o aspecto cultural, através das diferentes actividades levadas a cabo, culminando com a criação do Pólo da Biblioteca de Camilo Castelo Branco de Vila Nova de Famalicão e as Piscinas que dispõem de instalações ultra modernas, permitindo um aumento da qualidade de vida de todos os que podem usufruir deste espaço, nomeadamente idosos e alunos deste Agrupamento de escolas.
VNT – A personalidade da sua vida. IST - A minha mãe.
VNT – O filme da sua vida. IST - “Voando sobre um Ninho de Cucos” com uma interpretação fabulosa de Jack Nickolson.
VNT – O livro da sua vida. Todos os livros que li passaram a fazer parte da minha vida. É difícil destacar um, mas posso nomear “Os Maias” de Eça de Queirós e “Gaivotas em Terra” de David Mourão Ferreira.
VNT – Local que gostaria de visitar. IST - Nenhum em especial. Gosto muito de ver/ler reportagens sobre o mundo, mas não gosto de viajar.
VNT – Local onde gostaria de viver. IST - Na cidade do Porto.
VNT – Quer deixar alguma mensagem aos leitores do “Viver a Nossa Terra” e particularmente aos professores? IST - Apesar de vivermos momentos difíceis, temos que acreditar que, com trabalho, persistência e espírito empreendedor vamos conseguir ultrapassar as grandes dificuldades que nos têm assolado. Não deixemos de sonhar! Victor Ribeiro |
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