| |
Principal Ribeirão Na primeira pessoa, com Monsenhor Manuel Joaquim Fernandes
Clube de Cultura e Desporto de Ribeirão | Terça, 07 Fevereiro 2012 |
|
|
| |
|
Na primeira pessoa, com Monsenhor Manuel Joaquim Fernandes |
|
|
|
|
Terça, 28 Abril 2009 |
 Mons. M. J. Fernandes Monsenhor Manuel Joaquim Fernandes, pároco de Ribeirão há 30 anos, fala-nos, na primeira pessoa, da sua longa experiência, nesta paróquia. Homem com provas dadas na vertente social, refere os problemas actuais que a Igreja atravessa e aponta os caminhos a percorrer para os enfrentar.
Que grandes diferenças encontra entre a comunidade ribeirense actual e aquela que encontrou quando veio para cá? Quando iniciei, efectivamente, o trabalho em Ribeirão, como coadjutor, senti uma enorme diferença, sobretudo a nível humano, em relação à paróquia de Maximinos, em Braga, onde trabalhara como coadjutor. Ribeirão era uma paróquia em que as pessoas pareciam ter medo do Padre e mantinham com ele uma distância que incomodava. Tentei que isso se alterasse. Agora, sinto que há mais abertura, sob o ponto de vista humano, de relacionamento interpessoal, etc. Quando cheguei a Ribeirão, havia mais empenho apostólico, sobretudo derivado à influência da Acção Católica, que ainda tinha bastante vida. Com a lenta perda de dinamismo da Acção Católica, o empenho apostólico esmoreceu. Agora continua a haver participação das pessoas na vida paroquial, nos grupos existentes, na Liturgia, etc., mas é necessário mais dinamismo apostólico. Faz falta um Movimento que ajude nesse sentido. Tenho pensado, diversas vezes, na Legião de Maria, mas ainda não consegui concretizar a sua implantação. No que respeita a diferenças, há mais cultura, muita gente jovem com cursos académicos de nível superior, melhor nível de vida, melhor habitação, melhores vias de comunicação, etc. O aumento de cultura facilita a participação a nível dos grupos paroquiais mas é necessário cuidar a formação religiosa. A esse nível, precisamos de dar um salto qualitativo. Ultimamente temos investido mais na formação dos Catequistas através da participação em Cursos organizados pelo Departamento Diocesano de Pastoral Catequética. Também três Ribeirenses participaram num Curso Teológico-Pastoral.
Ao fim de tantos anos nesta paróquia que compensações recebeu? E que desilusões? Compensações? A participação das pessoas nas iniciativas paroquiais, a Ordenação Sacerdotal e o ingresso na Vida Religiosa de alguns Jovens. Também a concretização de algumas obras materiais, nomeadamente a ampliação e restauro da igreja paroquial. Desilusões? A incompreensão e o desinteresse de alguns paroquianos que, em alguns casos é verdadeiro anti-clericalismo.
Que faceta da Igreja o realiza mais: a questão social ou a vertente pastoral? As duas são importantes. Gostaria de crescer mais na vertente pastoral.
Qual o momento que mais o marcou, enquanto pároco? É difícil recordar. Mas ficou-me gravada a primeira vez que celebrei a Eucaristia, às 7 h, na igreja ampliada, no dia da Missa Nova do P. José Carlos Sá. Foi uma sensação de surpresa devido ao facto de a igreja estar repleta. Muitos tinham repetido que a ampliação era grande de mais e, afinal, o espaço novo estava repleto de gente. Também me marcaram a morte de algumas pessoas que muito ajudaram na paróquia.
Poderia partilhar a forma como decorrem os seus dias? Tentando arranjar tempo para rezar um bocadinho e cumprir as minhas obrigações sacerdotais. Depois, correr para conseguir responder às solicitações que a vida, todos os dias, apresenta.
Há quem afirme que há poucos Padres… Será que não serão suficientes para o número de católicos “efectivos”? Por enquanto, chegam. Ainda há “exigências” que só se concretizam porque há sacerdotes disponíveis. Às vezes trata-se de caprichos que não fazem sentido. Às vezes, quem menos “gasta” é que mais exige.
Que solução vai encontrar a Igreja para a preocupante falta de pastores? Cuidar mais a vida cristã das famílias e rezar mais ao Senhor da Messe. O grande problema é a paganização da vida familiar. Muita juventude está envenenada por aquilo que vê, lê e ouve. Num ambiente assim é difícil despertar uma decisão de se entregar a Deus e aos outros, na Igreja.
Que medidas julga que a Igreja deve tomar para entusiasmar mais os cristãos a serem verdadeiros discípulos de Jesus Cristo? Cuidar mais a formação cristã das pessoas. Ninguém ama o que não conhece. Mas também é necessário que as pessoas aceitem e desejem a formação. É preciso conhecer mais, ao menos, o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica. Esse é o projecto da Paróquia que ainda não foi possível concretizar.
O que pensa que poderá estar na base de um afastamento, cada vez maior, dos cristãos da vida religiosa/ paroquial? Pode ser a invasão de paganismo e preguiça. Pode ser o dinheiro a mais, nalguns casos. Pode ser uma vida em desacordo com a Fé. Pode ser a lei do menor esforço. Pode ser o orgulho de crer não precisar de Deus nem da Igreja como Mediadora do encontro e do louvor a Deus. Pode ser muita coisa. Mas a realidade está a ser preocupante. Bastantes dos mais novos não têm retaguarda religiosa familiar. Isto é um grave problema .
O que pensa do expressão “igreja supermercado”? Emprego essa expressão, muitas vezes, nas reuniões de Preparação para o Baptismo. Um dos problemas está nessa atitude. Há um número significativo de cristãos que consideram a Igreja um “supermercado” de artigos religiosos. Só lhes interessa quando precisam de “comprar” algum Sacramento, Funeral, documento, etc.... Depois, não interessa.
Que conselho deixaria aos jovens, para que estes abracem o sacerdócio? É necessário fomentar a vida cristã. Fazer experiências de Retiro ou Momentos de Reflexão. Ler a Palavra de Deus e o Catecismo da Igreja Católica. Frequentar os Sacramentos, nomeadamente, a Reconciliação e a Eucaristia.
Tem consciência que tem sido um grande percursor do desenvolvimento, nomeadamente social da nossa freguesia…? De facto, tive oportunidade de iniciar respostas sociais que não havia. Eram e continuam a ser necessárias em Ribeirão. Com o passar dos anos temos contribuído para a mudança cultural que torna Ribeirão mais urbano. Além disso, temos contribuído para melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas. Muitos têm tido um fim de vida digno, graças às respostas sociais que implementamos, nomeadamente o Centro de Dia e o Lar Santa Ana. Também o Serviço de Apoio Domiciliário tem realizado um importante trabalho.
Acha que a nossa paróquia necessita de mais respostas sociais? Quais? O Centro Social Paroquial, tentando vencer enormes barreiras, está a procurar encontrar uma Resposta para a Deficiência. Nesse sentido, está a ser preparada uma candidatura ao Programa Operacional Potencial Humano (POPH) para que seja financiada a construção de um Lar Residencial, Centro de Actividades Ocupacionais e Apoio Domiciliário para Deficientes. Esperamos que a candidatura seja aprovada pelas instâncias Governamentais. Concretizado este projecto, Ribeirão fica dotado de Respostas Sociais que abrangem alguns dos sectores mais frágeis da Comunidade.
O Centro Social Paroquial de Ribeirão e a outra IPSS existente em Ribeirão são suficientes para dar resposta às necessidades dos ribeirenses? Estou convencido de que as duas IPSS existentes respondem às necessidades da população. A Resposta de Creche do CSPR atende os pedidos e tem vagas. Poderá ser aumentada com a diminuição da Resposta do Pré-escolar. O Centro de Dia tem bastantes vagas. O Apoio Domiciliário pode crescer se fizer falta. O Lar é procurado mais por pessoas de fora de Ribeirão. Outra IPSS? Para tentar desfazer o trabalho que está a ser feito? Se cumprimos as regras da Segurança Social, se estamos a terminar a Certificação de Qualidade segundo os Normativos da Segurança Social e ainda podemos responder a mais pessoas, para quê outra IPSS?
Como encara o recente título de Monsenhor. É o reconhecimento do seu trabalho? Talvez seja. Mas essa distinção é mais valorizada fora de Ribeirão do que aqui. O meu comentário é este: não pedi nem comprei. Se o Senhor Arcebispo quis pedir ao Santo Padre que me concedesse essa distinção, depois de ouvir o Conselho Presbiteral da Arquidiocese, é porque entendeu que o devia fazer. Agradeço, mas não quero utilizar isso para me promover ou elevar. Sou o que sou, com muitos defeitos e algum trabalho realizado. Se a paróquia entender isto como uma distinção para si própria, não me parece mal. Até porque nenhum Pároco faz trabalho de jeito sem a colaboração dos paroquianos. Portanto, se a distinção é pelo trabalho e não pelos méritos pessoais, também pertence aos paroquianos que ajudaram e colaboraram.
Que projectos para o futuro? Implementar um Movimento Apostólico; dar início a cursos de formação religiosa e doutrinal; enriquecer a igreja com um painel artístico no Baptistério e vitrais nas janelas situadas no fundo da parte nova; comprar, na Alemanha, um orgão de tubos, em segunda mão, mas em muito bom estado e preço acessível; poder construir uma Resposta Social para Deficientes.
A personalidade da sua vida? São Josemaría Escrivã.
O filme da sua vida? Há muitos anos que não via filmes. Gostei muito de ver “A Paixão de Cristo” , de Mel Gibson.
O livro da sua vida? O último que li: “Todos os caminhos vão dar a Roma”.
Local que gostaria de visitar? Índia.
Local onde gostaria de viver? Na terra onde nasci.
Quer deixar alguma mensagem aos cristãos ribeirenses? Que sejam cristãos esclarecidos, na vida paroquial e na participação cívica. Que entendam a solidariedade como serviço e não como auto-promoção. Victor Ribeiro |
|
|
| |
|
| |
|
|
| |
|
|
| |
|
| |
 |
|
Clube de Cultura e Desporto de Ribeirão. Todos os direitos reservados.
|