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Clube de Cultura e Desporto de Ribeirão | Segunda, 06 Fevereiro 2012
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Na primeira pessoa, com António da Costa Pereira PDF Imprimir E-mail
Quarta, 24 Junho 2009
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António Pereira

António da Costa Pereira, actualmente o homem que dirige os destinos da Casa do Povo, fala-nos na primeira pessoa, da vontade em continuar a contribuir como cristão para o bem-estar da sua terra.

Viver a Nossa Terra – Em primeiro lugar gostaria que se apresentasse.
António da Costa Pereira - Nascido há 53 anos em Ribeirão, sou casado, pai de 2 filhos e tenho 2 netos. Sou industrial no ramo de confecção. Gosto de contribuir activamente para o desenvolvimento e bem-estar social de Ribeirão, através do associativismo e da participação em equipas da paróquia. Nos tempos livres gosto de conhecer outros países, de ler, dançar e ver um bom jogo de futebol.

VNT – Há já alguns anos que dirige a Casa do Povo. Que significado tem chamar-se “Casa do Povo”?

ACP - Fez 12 anos este mês. Penso que as "casas do povo" foram criadas pelo governo dos anos 30 em todo o País. Funcionavam como uma caixa de previdência para os proprietários agrícolas e seus trabalhadores e era o ponto de encontro das populações, nomeadamente a de Ribeirão. Lembro-me que em 1966, no mundial de futebol, era na casa do povo que havia televisão para ver os jogos de Portugal. Após o 25 de Abril de 1974, começaram as mudanças, os sócios e beneficiários da casa do povo passaram a ser beneficiários da segurança social. Actualmente, a Casa do Povo de Ribeirão é uma associação de utilidade pública sem fins lucrativos, cujo objectivo a nível cultural e recreativo é disponibilizar as suas instalações e as suas actividades em prol de todos os Ribeirenses.

VNT – Foi instalado há pouco tempo um Gabinete de Inserção Profissional (GIP) na Casa do Povo. Este gabinete vem colmatar uma necessidade da vila?
ACP - Sim. No contexto económico-social que estamos a viver, o gabinete de inserção profissional é uma mais valia para a população de Ribeirão e arredores, pois, este gabinete trabalha em parceria com o centro de emprego de Vila Nova de Famalicão que tem como missão apoiar a procura activa de emprego, fazer um acompanhamento personalizado dos desempregados, assim como de estudantes. Captar ofertas junto de entidades empregadoras, divulgar ofertas de emprego e de formação profissional tanto a nível da vila, da região e a nível do espaço Europeu, motivar e apoiar a participação em actividades em regime de voluntariado que facilitem a posterior inserção no mercado de trabalho entre outras. Fizemos protocolos de colaboração com o Centro de Novas Oportunidades (CNO) da FORAVE e com o CENFIM para proceder ao encaminhamento para as actividades formativas que estas instituições desenvolvem. Espero que as pessoas tirem partido deste serviço, que funciona todos os dias, excepto à quinta-feira, das 9:00 às 17:00.

VNT – Que projectos para este novo mandato?
ACP - Dar continuidade às actividades existentes, tentar fomentar outras iniciativas para que mais ribeirenses usufruam do excelente espaço que a Casa do Povo dispõe.

VNT - Foi dirigente do Grupo Desportivo de Ribeirão durante muitos anos…

ACP - Sim. Ocupei vários cargos durante 11 anos, sempre com a única intenção de zelar pelos interesses do GD Ribeirão, defendendo os resultados desportivos e o crescimento do clube, mas, sempre convicto que o clube não poderia viver acima das suas possibilidades e sempre na tentativa de honrar os compromissos.

VNT - A nível da paróquia, sabemos que também tem colaborado...
ACP - Como cristão que sou, sinto-me na obrigação de colaborar na paróquia: desde jovem, nas equipas de jovens, em participação em CPM's como noivo e como casal orientador e no movimento Serviço de Entreajuda e Documentação Conjugal (SEDC). Fui catequista, leitor, elemento do grupo coral, do conselho pastoral, elemento das comissões de obras do centro social paroquial e da igreja e tesoureiro da confraria do Senhor dos Perdões. Actualmente, integro com a minha esposa as Equipas de Nossa Senhora e a Equipa da Pastoral Familiar.

VNT – Também como empresário sente que há pessoas que dependem de si, da sua capacidade de empresário?
ACP - Como empresário vou lutando juntamente com a minha esposa na área da confecção mas está muito difícil para conseguir honrar os compromissos, estamos numa altura de muita incerteza mas seja o que Deus quiser.

VNT - O que faz mover um homem que durante todos estes anos tem trabalhado em prol dos outros?

ACP - São opções de vida. Tentar ser útil na terra onde nasci, colaborando como um simples cidadão que sou, fazendo aquilo que gosto, conviver com pessoas de todas as idades dentro e fora de Ribeirão e também desta forma permitiu-nos conhecer praticamente todo o norte do país. É com muita alegria que vejo muitos jovens que acompanhei ao longo do tempo, hoje serem bons profissionais, empresários e terem constituído família. Quanto à vida particular, os filhos já estão criados, acompanhei-os em todas as etapas. Agora tenho os netos e como avô tento desempenhar o meu papel dando o exemplo.

VNT - Tem valido a pena este(s) trabalho(s)? Porquê?
ACP - Vale sempre a pena quando fazemos as coisas com gosto. O mundo constrói-se de pequenas coisas e quanto mais se faz mais temos a sensação que falta alguma coisa, por isso, enquanto tiver saúde quero ser cidadão activo na minha terra.

VNT - Quer-nos contar alguns factos que o tenha marcado pela positiva e/ou pela negativa numa destas áreas?
ACP - Na nossa vida há coisas que ficam gravadas pela negativa. Uma delas foi no ano 1998 em que o GD Ribeirão esteve prestes a acabar. Faltavam 15 dias para terminar o prazo da inscrição da equipa na II divisão nacional e o clube não tinha direcção, nem equipa. Foi então que convenci o Zé Dias a ser presidente, ele que até então fazia parte da comissão de obras com outros elementos. Formou-se em poucos dias a direcção sem ter tempo de pensar na embrulhada que nos iríamos meter, mas o grupo de directores não regateou esforços, pois sabíamos de algumas dificuldades que tínhamos que enfrentar, a começar pelo facto do clube não ter campo (que estava cheio de montes de brita) nem balneários mas, o pior ainda estava para vir: 30 processos em tribunal. O clube estava inibido de passar cheques e foi assim durante muitos meses. Os cheques do Ribeirão eram em nome dos directores e não havia crédito em lado nenhum. Também foi negativo perder alguns amigos pelo facto de ter que defender a instituição que servíamos.
Pelo lado positivo saliento nesta mesma época, a união da direcção e da comissão de obras, o apoio de muitos sócios, de muitos empresários e também o apoio da Câmara Municipal. Faltavam 3 jornadas para o final do campeonato, e foi inaugurado o estádio do Passal. No ano seguinte, começaram as camadas jovens com uma equipa de juvenis e ao longo dos anos foi crescendo e é com muita alegria que passados 10 anos vejo que o clube tem uma das melhores formações a nível da Associação de Futebol de Braga.
Outro facto que me marcou pela positiva foi a inauguração da remodelação da Casa do Povo em 2005.

VNT - Como tem visto a evolução que Ribeirão tem tido nos últimos anos?
ACP - Tem crescido a nível populacional, empresarial e em equipamentos sociais. Está adormecido no que toca a espaços de lazer, continua-se a construir em todos os sítios e não há ninguém, câmara ou junta de freguesia que reserve um espaço para o futuro centro de Ribeirão. Qualquer pequena freguesia do nosso concelho está bem melhor que Ribeirão.

VNT - Que sonho gostaria de concretizar ou ver concretizado em Ribeirão?
ACP - Gostaria de ver a Cruz Vermelha de Ribeirão com uma nova sede para dar condições de trabalho aos voluntários que prestam serviço para o bem estar da população de Ribeirão. E ver os rios Veirão e Ave como os via há 40 anos: despoluídos e com vida.

VNT – A personalidade da sua vida.
ACP - A minha mulher.

VNT – O filme da sua vida.
ACP - "A Paixão de Cristo" de Mel Gibson.

VNT – O livro da sua vida.
ACP - "Como evitar preocupações e começar a viver" de Dale Carnegie.

VNT – Local que gostaria de visitar.
ACP - Los Angeles - Estado Unidos.

VNT – Local onde gostaria de viver.
ACP - Depois de conhecer algumas dezenas de países cada vez gosto mais da minha terra.

VNT - Quer deixar alguma mensagem aos leitores do “Viver a Nossa Terra”?
ACP - Vale sempre a pena lutar pelos nossos ideais: não desistam.

Victor Ribeiro
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