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Clube de Cultura e Desporto de Ribeirão | Terça, 07 Fevereiro 2012
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Na primeira pessoa, com Manuel Miranda Azevedo PDF Imprimir E-mail
Quinta, 24 Setembro 2009
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Manuel Miranda Azevedo


Quem é Manuel Miranda Azevedo?
Nasci nesta vila há 54 anos, onde resido com a minha família. Sou empresário. Procuro que a minha filosofia de vida assente nos valores que me foram transmitidos pelos meus pais, a honestidade, o trabalho e a educação. Sou extrovertido. Gosto de conviver. Desde muito jovem que participo nos movimentos associativos e comunitários. Tenho muitos defeitos. Apesar do grande esforço que faço não consigo desligar-me dos pecados capitais com a excepção da inveja. Mas Santo Agostinho diz-nos “A confissão das más acções é o primeiro passo para a prática das boas acções”.

  
Em tempos vereador do MAF na Câmara Municipal. Sente saudades?
Não. Do meu passado só sinto saudades da irreverência da minha juventude. Enquanto vereador foi uma experiência interessante que no uso do meu direito de cidadania decidi aceitar, naquela altura. Pude ver por dentro o funcionamento da máquina autárquica e conclui que não tenho perfil para político activo, pese o facto de ter sido eleito por um movimento independente, que me permitiu total liberdade da expressão e acção. Tendo inclusive viabilizado propostas que não mereciam total concordância dos meus colegas, mas que se enquadravam na minha linha de cidadão responsável e livre.    

É mais fácil ser político ou empresário?
Penso que não há comparação possível. A opinião pública tem uma imagem muito negativa dos políticos. Basta atentar nos casos de corrupção e compadrio que percorre de forma transversal a nossa classe política. Na política não há uma escala de valores que permita aferir se o político está apto para exercer a função, se já demonstrou experiência profissional, conhecimentos técnicos e acima de tudo vontade de contribuir para o desenvolvimento social. Mas, infelizmente o importante é andar com a bandeira às costas e se possível com um discurso fluente. Concluo, e respondendo à pergunta, para se ser um político é extremamente fácil. Para desempenhar uma outra qualquer tarefa da mais humilde à mais distinta é preciso muita responsabilidade, seriedade, persistência, espírito de sacrifício, rigor…Quando o político falha quem paga? Seria de todo injusto não reconhecer que aqui ou além não haja um político competente e sério.

Enquanto empresário, sente que há pessoas que dependem de si?
O dia-a-dia de um empresário é uma luta permanente no sentido de honrar os seus compromissos e manter os postos de trabalho de todos os seus colaboradores. Como empresário a maior tristeza que poderia sentir era não puder pagar os salários ao fim do mês, ou então, despedir um colaborador.

Como consegue continuar a ter sucesso uma empresa muito ligada ao ramo da confecção, nos tempos que correm?
Queria perguntar, certamente, como se consegue sobreviver? Todas as áreas de actividade empresarial, nestes últimos anos, têm sofrido uma mudança radical, resultado de políticas económicas erradas e uma globalização que da noite para o dia surpreendeu todas as empresas que não estavam preparadas para este impacto. A nossa economia foi fortemente afectada, porque assenta em produtos de mão-de-obra barata. A banca, numa estratégia errada, tinha aberto os cofres às empresas, incentivando-as ao investimento e por arrastamento ao endividamento. Mas rapidamente percebeu que esse não foi o melhor caminho e abruptamente cortou o crédito, deixando-as às portas da falência. Ora, níveis de endividamento elevado, cotas de mercado perdido, créditos incobráveis, concorrência desleal, falta de apoio do poder central, resulta que são poucas as empresas que conseguem sobreviver. E o pior, os indicadores apontam uma subida preocupante do défice público e até final do ano 2010 o número de desempregados chegará aos 650mil. Neste quadro, o futuro afigura-se muito negro quer para a área têxtil quer para qualquer outro sector de actividade.

Envolvido em grandes obras da Vila. O centro social e lar de idosos são motivo de orgulho?
Tenho a honra de pertencer a uma vasta equipa de paroquianos que, nos últimos anos, tem conseguido concretizar obras importantes patrocinadas pela Paróquia. A ampliação da nossa igreja e a construção do lar só foram possíveis, porque essa equipa conseguiu, através de um extraordinário sentido de serviço comunitário, “arregaçar as mangas” e durante meses a fio percorremos todas as portas para a angariação de fundos. Aliás, nesta altura, está a decorrer uma venda de rifas, cuja receita custeará as obras paroquiais realizadas, nomeadamente a demolição da antiga residência, o arranjo do adro e a cobertura do salão paroquial. Só uma equipa unida é que consegue a concretização dos objectivos, por mais arrojados que sejam. Creio que se outras obras se perfilarem no horizonte, toda a comunidade corresponderá positivamente ao desafio. As obras que se concretizam são sempre um marco nas comunidades, constituindo motivo de grande orgulho.

E o pavilhão? Grande batalha...Como foi possível chegar ao Poder Central?
O pavilhão gimnodesportivo em Aldeia Nova foi fruto de um envolvimento colectivo. Conseguimos angariar cerca de um milhão de euros. Só com a ajuda do poder central, da câmara municipal e alguns bons amigos foi possível reerguer um projecto, que foi iniciado pelo falecido Sr. Heliodoro, mas por falta de meios não foi possível concretizar. Tivemos de batalhar muito, ser muito persistentes, “nunca baixando os braços” até ultrapassarmos toda a burocracia e convencermos os nossos governantes da importância que representava este equipamento para o desenvolvimento salutar da nossa juventude.   

Que outros projectos gostaria de ver concretizado em Ribeirão?

Nestas últimas duas décadas, a nossa vila, devido ao esforço dos autarcas, das associações, do tecido empresarial, tem verificado um desenvolvimento significativo. As infra-estruturas criadas, ao nível básico (água, saneamento), equipamentos desportivos, culturais e sociais têm contribuído para melhorar a qualidade de vida dos Ribeirenses. Contudo, temos de ter os horizontes mais largos. Quando fui vereador apresentei em reunião de câmara uma proposta para a criação do concelho de Ribeirão, onde demonstrei que o novo município teria à partida garantida os meios necessários para a sua sustentabilidade, permitindo um desenvolvimento mais acelerado e sustentado, com o beneficio claro de toda a comunidade. Apesar da criação de um novo município não ser muito do agrado dos nossos políticos, tenho a certeza, e porque algumas vozes já se vão fazendo ouvir, que este projecto será concretizado ainda nos nossos dias. 

Personalidade da sua vida
?
O Papa da família João Paulo II

Livro da sua vida?
Confissões, de Santo Agostinho

Filme da sua vida?
Rain Man

Local que gostaria de visitar?
Como católico praticante, tinha dois objectivos e um sonho. Os dois objectivos eram: a visita à Terra Santa e a Roma, já concretizados. O sonho seria visitar o céu antes de morrer.

Local onde gostaria de viver?
Gostaria de viver num país, onde os jovens tivessem uma boa educação, entrassem no mercado de trabalho com facilidade, que as empresas estivessem saudáveis e conseguissem remunerar os seus colaboradores. O serviço de saúde esteja ao alcance dos mais desfavorecidos. As pensões de reformas permitam que os idosos tenham uma vida digna. A não ser possível viver neste suposto país, gosto muito de viver em Ribeirão.

Quer deixar uma mensagem aos leitores do Viver a Nossa Terra?
Cito Santo Agostinho: “A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las”.

Gabriela Gonçalves
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