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Principal Ribeirão Todas as verdades
Clube de Cultura e Desporto de Ribeirão | Quarta, 08 Fevereiro 2012 |
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Quinta, 24 Setembro 2009 |
A abertura da continuação da Rua das Piscinas até à Rua Dr. José Leite dos Santos, paralela às Piscinas Municipais tem estado na ordem do dia. Depois da carta dos Moradores do Cerco, em que os moradores acusam Manuel Couto, proprietário dos terrenos envolventes ao local onde deverá nascer a rua, de “colocar os seus interesses pessoais acima dos interesses de Ribeirão”, o assunto chegou a reunião de Câmara, onde ficou aprovada a expropriação de duas parcelas do respectivo terreno.
A expropriação incide sobre duas parcelas de terreno com 320 e 395 metros quadrados que permitirão construir a rua de acesso às Piscinas e principalmente a ligação directa entre dois lugares da freguesia. A proposta camarária não reuniu os votos favoráveis por parte da vereação socialista que acusou mesmo o executivo de estar contra Manuel Couto, candidato pelo PS à Junta de Freguesia de Ribeirão, por razões de ordem política. Já o executivo alega que a decisão resultou da largos meses de negociação com o proprietário, marcados por alguma intransigência do mesmo, impossibilitando assim entendimento em ambas as partes. Testemunha disso mesmo diz ser o vice-presidente Leonel Rocha, também presente nas reuniões de negociação. O vereador revelou mesmo que o proprietário dos terrenos comprometeu na ultima reunião qualquer acordo, “propôs que a câmara comprasse tudo (...) ou era tudo ou nada”. O edil famalicense referiu ainda que “havia contrapartidas impossíveis de concretizar”, lembrando aos presentes que o proprietário dos terrenos pretendia que a Câmara deixasse todo a àrea do terreno munida de infraestruturas. Ora para Armindo Costa isso reverteria “num benefício ilegítimo de um privado”. A oposição continuou a reagir alegando que as negociações corriam bem até 2007, altura que Leonel Rocha lembrou, que no âmbito das negociações, deveria-se acautelar o futuro da EB 2,3, com vista a ser alargada.
Manuel Couto reage e desmente Não tardou a reacção de Manuel Couto à noticia de expropriação do terreno. Em conferência de imprensa, o proprietário começou por acusar o edil famalicense de ter recuado no acordo que estava a ser ultimado com os técnicos municipais. Considera mesmo que tal derivou do anúncio da sua candidatura pelo PS à Junta de Freguesia. Manuel Couto acusa o edil de ter falhado no seu dever de “equidade”. Já relativamente às palavras de Leonel Rocha, o proprietário desmente ter apresentado à Câmara como única solução a compra de tudo. “Isto é uma mentira pegada”, frisou Manuel Couto, acusando ainda o vereador de “envenenar e manipular” os moradores do Cerco contra si. E acrescentou ainda contra Leonel Rocha, “usa a simplicidade das pessoas a seu favor”. E quanto ao parecer negativo do vereador, salvaguardando a necessidade de se alargar a EB 2,3 no futuro, Manuel Couto considera que tal só veio “trazer novas areias à engrenagem do processo”, pois o evental alargamento apontado noutra direcção. Voltando ao processo e às negociações que remontam já desde 2001, Manuel Couto alega que a cedência dos terrenos para a construção da via sempre foi abordada no contexto de um Plano de Urbanização. O proprietário recordou ainda que o anterior presidente da junta, José Reis Moreira, alertou a Câmara para a necessidade de se viabilizar o acordo com a Habir (empresa de Manuel Couto) dada a necessidade de se criar o referido acesso de ligação entre ambos os lugares da freguesia. Manuel Couto defende mesmo que tanto a Junta, como os técnicos municipais consideravam a possibilidade de viabilizar o loteamento proposta pela Habir naquele terreno. Uma atitude que durou só até há bem pouco tempo, por parte da Câmara, “porque entretanto eu não era só o representante legal da Habir mas candidato do PS”. Manuel Couto alega mesmo que acabou por ser o edil famalicense a “roer a corda”, explicando que quando estava previsto se ultimar pormenores na ultima reunião, Armindo Costa acabou por assumir que não era aquele caminho que pretendia seguir, “caminho acordado pelos seus técnicos, que desautorizou”. Manuel Couto prosseguiu afirmando que colocou os terrenos à disposição da Câmara no passado dia 1 de Setembro, solicitando que as ruas a construir apresentassem as mesmas infra-estruturas das existentes nas imediações. Uma proposta refutada pela Câmara que leva o proprietário a defender que “só por razões de ordem política ocorre esta expropriação”, da qual foi notificado um dia depois. E relativamente à expropriação, é um processo “que vai parir um rato”. Dirigindo-se aos moradores, Manuel Couto alerta que “vão ter um acesso miserável com mato e silvas nos próximos anos”.
Moradores garantem continuar a luta Apesar de reconhecerem que a expropriação do terreno é “a única situação possível (...) já tardia”, os moradores do Cerco, representados por Antonio Martins, Carlos Ribeiro e Francisco Silva, garantiram, ao jornal Viver a Nossa Terra, que não vão cruzar os braços até a nova rua ser de facto uma realidade. E acrescentam: “se tivermos que apontar ou desmascarar alguém – Câmara, Junta, proprietário, seja quem for – apontamos e vamos para a praça pública. (...) a luta continuará até nascer a obra”. No entanto, não ficam indiferentes às declarações recentes de Manuel Couto, acusando-o mesmo de faltar à verdade. “Tudo ou nada foi a posição tomada pelo Sr. Manuel Couto perante a Câmara e perante nós”. E explicam: “para além da rua necessária, quer que a Câmara faça ainda outra rua com todas as infra-estruturas e autorize a construção no local de dois prédios”. De acordo com os moradores, o proprietário “está a aproveitar-se da vontade da Câmara em fazer esta rua”. Por outro lado, os moradores, eles residentes em prédios construidos pela Habir na zona envolvente às piscinas, recordam que “já na altura da compra dos apartamentos, ele incutia-nos que num futuro próximo nasceria ali uma rua”. Para os moradores o mais irónico é o facto de Manuel Couto na sua candidatura “insistir tanto” em acessibilidades “para depois tomar esta atitude (...) quando o que se está aqui a tratar é exactamente de um acesso”, referem. Respondendo ainda às declarações de Manuel Couto, os moradores garantem “que a simplicidade não deve ser confundida com ignorância (...) nem tão pouco somos influenciados por ninguém”. Finalmente, e perante a previsão do proprietário relativamente ao estado da rua daqui a alguns anos “com mato e silvas”, os moradores perguntam “em que é que isso diferirá do actual estado do terreno (...) será pior?” Os moradores garantem que esta luta não tem qualquer motivação política, pelo menos da parte deles. Começou antes da campanha eleitoral e tem apenas um único objectivo: “proporcionar as melhores condições de acessibilidade aos moradores da toda aquela zona da freguesia e um acesso directo aos equipamentos educativos e desportivos existentes e em construção”. Conscientes que Manuel Couto pode agora judicialmente contrapor a decisão da Câmara, os moradores acreditam que “nenhum juiz com mil assinaturas na mão em prol daquele acesso poderá dar razão ao proprietário”. E desejam que a Câmara Municipal seja célere com este processo de forma a que a rua seja uma realidade muito em breve. |
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