Principal arrow Ribeirão arrow “À espera das telhas... à espera das telhas"
Clube de Cultura e Desporto de Ribeirão | Segunda, 06 Fevereiro 2012
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Quinta, 25 Janeiro 2007
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Degradação

As aparências iludem. Um cliché que parece aplicar-se perfeitamente à escola básica nº1 da Aldeia Nova, em Ribeirão. Por detrás de uma fachada com boa cara esconde-se um conjunto de problemas que tem preocupado os pais das crianças daquela escola. Ao jornal Viver a Nossa Terra, a direcção da Associação de Pais apresentou uma lista dos principais problemas verificados no equipamento educativo assim como uma série de ofícios enviados à Junta de Freguesia de Ribeirão e à Câmara Municipal de Famalicão onde alertam para as necessidades da escola e pedem a reparação imediata das deficiências.
Isabel Azevedo é uma das vice-presidentes da associação e mãe de duas crianças que frequentam a escola. A sua decisão de fazer parte da actual Associação de Pais, eleita em Junho, foi tomada depois de se aperceber, ao longo do passado ano lectivo, que “nada era feito ou corrigido daquilo que achava que estava mal ou menos bem”.
Depois do encerramento da escola das Boucinhas no ano lectivo transacto, a maior parte desses alunos foram transferidos para a escola de Aldeia Nova provocando nesta escola um problema de sobrelotação. Consequentemente, foram ocupadas salas neste equipamento escolar que antes serviam outras actividades. “Com a sobrelotação é uma escola sem infra-estruturas básicas”, sublinha Isabel Azevedo, explicando que, por exemplo, a escola ficou sem um espaço próprio para funcionar o prolongamento.
Mas o que mais preocupa os pais é o facto de não existir um espaço exterior que possa abrigar as crianças quando chove. Uma situação que dificulta ainda o bom funcionamento de, por exemplo, a aula de educação física. “Em dias de chuva o professor não consegue inventar porque chove e ele não tem espaço. (...) Em fato de treino, as crianças atiram-se para o chão, porque são crianças, e ficam todos molhados”, sublinha Isabel Azevedo. Consequentemente, os alunos vão para as salas de aulas molhados e sujos, e dessa forma ficam até ao final das aulas. “Para nós mães isto é lamentável, porque com pouco conseguíamos resolver o assunto”, acrescenta Alice Pinto, também vice-presidente da Associação.

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O estado do telhado da escola

Na opinião destas mães, a solução do problema passa pela execução de obras num coberto que lá existe para acolher as actividades extracurriculares, mas também pela reparação do telhado. Aliás esta é uma das principais reivindicações da Associação de Pais desde que tomaram posse. Alegam que estão há meses à espera de uma resposta prática da Câmara Municipal relativamente ao telheiro. Em resposta ao envio de vários ofícios enviados ao pelouro da Educação, “o que vêem dizendo é que estão à espera das telhas, estão à espera das telhas e estão à espera das telhas”, frisa Isabel Azevedo. E acrescenta, “já lhes sugerimos que nos dessem o dinheiro que nós próprios comprávamos as telhas (...) disseram logo que iam tratar do assunto imediatamente, mas nada foi feito até agora”. Também a Junta de Freguesia foi alertada, em meados de Setembro e Outubro, sobre o mesmo problema, “mas até hoje nada se passou”, acrescenta a vice-presidente. Enquanto a situação não é resolvida, sempre que chove entra água também pela chaminé da cantina. “Sou eu própria que estou a lavar e a enxugar a água para evitar uma inundação”, revela Alice Pinto.
Mas a lista de problemas verificados na escola são muitos mais, como sublinha Isabel Azevedo, “a zona envolvente da escola está muito degradada em termos de escadas, casas de banho (...) inclusive chove dentro das casas de banho. São vidros partidos, telhas e caleiras danificadas, paredes interiores”.
Alice Pinto reforça o problema do corrimão das escadas interiores que se encontra bastante danificado, temendo as mães que no futuro possa haver algum acidente com as crianças que diariamente usam as escadas. Mais um problema fácil de resolver, alega aquela vice-presidente, “facilmente aquilo é soldado, inclusive há pessoas  que precisam de trabalhar umas horas e resolviam isso sem problema”. Isabel Azevedo acrescenta, “não estamos a pedir nada de muito custo. Estamos a pensar em coisas básicas”.
Coisas básicas que os pais têm tentado eles próprios resolver, “embora não seja da nossa responsabilidade”, como foi o caso dos cabides para as crianças pendurarem as mochilas, lembra Isabel Azevedo, “o cabide estava no chão e sob a nossa responsabilidade pedimos a colaboração aos avós que estão em casa, pedimos que fossem lá resolver isso”. Também foram os familiares dos alunos que tiveram que remover um pinheiro que caiu na zona de recreio da escola durante um temporal, “apesar de termos pedido à Junta para tratar do assunto”, frisa a vice-presidente.
Comportamentos que comprovam a vontade dos pais em procurar resolverem os problemas. É nesse contexto que a associação de pais manifesta-se disponível para pintar o interior da escola, confessando que até já têm a tinta.
Mas apesar da vontade, a associação de pais não pode fazer tudo pois “a Junta tem responsabilidades para com esta escola e por isso mesmo tem uma verba destinada a esta escola, para reparações várias”, sublinha Isabel Azevedo, que imediatamente pergunta “onde estão essas verbas?”. E acrescenta, “se a Câmara dá dinheiro à Junta, nós queremos que a Junta aplique essas verbas na nossa escola”. De acordo com o protocolo estabelecido entre a Câmara Municipal e Junta de Freguesia, cada escola recebe 400 euros por cada sala de aula, e 200 por biblioteca. Assim sendo, Isabel Azevedo considera que “2600 euros é mais que suficiente para as reparações básicas que a nossa escola necessita solucionar”.
Para além de não saberem das verbas, também os muitos ofícios enviados à Junta desde Setembro “não têm resposta”, revela aquela mãe. Isabel Azevedo afirma mesmo que “até ao momento a Junta apenas deslocou-se à nossa escola para resolver um problema com uma torneira”.
Outro problema verificado na escola da Aldeia Nova é a falta de auxiliares educativos. Actualmente existe apenas uma auxiliar de educação com mais de 60 anos de idade. “Temos que reconhecer que esta auxiliar já não tem a destreza de dar uma corrida para acudir uma criança em perigo. Os pais não estão tranquilos sabendo as condições em que os nosso filhos estão”, confessa Isabel Azevedo.

Trabalho de equipa
Todo este conjunto de problemas verificados na escola da Aldeia Nova afectam toda a comunidade escolar envolvente. Dos pais aos professores, educadores, coordenadora da escola e responsável pelo agrupamento de escolas. Todos estão igualmente preocupados com as condições das crianças. A Associação de Pais confessa existir uma boa relação com todos eles, considerando-os muito receptivos e empenhados. “Uma associação de pais só pode trabalhar em parceria com a toda a envolvente escola. (...) Esse foi sempre o nosso objectivo, porque caso contrário nada funciona. Só trabalhando em conjunto - escola, câmara, junta, pais - é que conseguimos bons resultados”, sublinha Isabel Azevedo. E acrescenta, “gostávamos muito de trabalhar em parceria com a Junta e com a Câmara a vários níveis. Não só no que diz respeito a pequenas obras e reparações, mas podemos pensar em projectos, actividades de lazer, férias, entre outras coisas. É importante que haja interacção”.

Projectos
A vontade da Associação de Pais manifesta-se quer na reparação de deficiências que estejam ao seu alcance, quer na promoção de actividades para o bem estar das crianças, como ainda em estar atentos a um problema que se verifica na escola, e que está relacionado com o facto de existirem muitos meninos carenciados, “pretendemos estar também junto dessas crianças”, sublinham as vice-presidentes.
Um dos projectos futuros prende-se com o escorrega da escola, que está carente de uma base própria para que os miúdos não caem em terra batida e por vezes encharcada de água. Para resolver esta deficiência a associação já promoveu um cabaz de Natal com vista a angariação de fundos. Uma iniciativa que “correu muito bem, pois houve muito receptividade por parte dos pais e famílias”, confessa Isabel Azevedo.
Mas ainda é preciso muito mais para concretizarem os seus objectivos de trabalho e de iniciativa. Para isso a associação de pais pretende solicitar o apoio junto do comércio local, empresas e população em geral, “que nos poderão ajudar da forma como bem entenderem, em dinheiro ou em materiais”. Uma ajuda que já será bem-vinda quando a associação de pais promover um cabaz de Páscoa, uma iniciativa em projecto, assim como a de estabelecer o “Prémio para o Melhor Aluno”.
Em projecto está também uma “Festa da Família”, que ainda não tem data marcada, mas que poderá acontecer em meados de Junho. Esta festa “visa chamar as famílias à escola (...) que elas vêm a realidade da escola dos seus filhos, como também ver com as suas crianças fazem coisas construtivas
”.
 No âmbito dessa festa, a associação planeia fazer uma exposição de pintura com trabalhos dos meninos; preparar umas lembranças para que possam ser vendidas juntos dos pais; proporcionar um lanche, através da venda de fatias de bolo e sumos, feitos pelos próprios pais, entre outras coisas. “Todas as coisas foram pensadas com materiais recicláveis para não termos custos e para sensibilizar as crianças para a questão do ambiente e da reciclagem”, assegura Isabel Azevedo.
Para esta festa a associação pretende ainda convidar as entidades locais, para que, por exemplo, “o presidente da junta de freguesia possa ver o trabalho desempenhado pela associação de pais e pelas crianças”, sublinha a vice-presidente. E acrescenta, “e quem sabe se todos juntos, entidades e pais, não possamos encontrar alternativas de forma a solucionar os problemas que possam ainda existir na altura”.
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