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Clube de Cultura e Desporto de Ribeirão | Terça, 07 Fevereiro 2012
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Na Primeira Pessoa, com Pe. Abel Maia PDF Imprimir E-mail
Terça, 24 Novembro 2009
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P. Abel Maia

Pe. Abel Maia, um ribeirense com uma já longa prática pastoral em diferentes localidades e situações, deixa-nos o seu testemunho de pastor, de homem dedicado a causas e de ribeirense atento à evolução da sua terra

Viver a Nossa Terra – Quem é o Pe. Abel Maia?
Pe. Abel Maia  - O Pe. Abel Maia é filho duma família Ribeirense que nasceu, viveu, estudou, rezou, sonhou e decidiu ser de todos sem se prender especialmente a ninguém, sendo padre da Igreja e para a Igreja de Jesus Cristo onde for preciso trabalhar.

VNT – Que recordações conserva de uma infância vivida em Ribeirão no seio de uma numerosa família?
AM - O verdadeiro sentido de família, o respeito, a entreajuda, o sentido do religioso, o sentido da comunidade, de Paróquia, o respeito pela opção vocacional em ordem à vida religiosa, missionária e sacerdotal, o respeito pelos valores que norteiam uma sociedade nas mais variadas dimensões: o Domingo como dia do Senhor, dia da família, do descanso, de comunhão entre as pessoas, e são convívio fraterno, as festas de Santa Ana com as suas belas novenas, as festas da família, casamentos, comunhões, missas novas, Bodas de Prata, Bodas de Ouro, o envolvimento da comunidade paroquial, etc., etc.

VNT – Houve algum clic especial que fez despertar a sua vocação religiosa e sacerdotal?
AM - Sim, o sentido muito profundo das coisas de Deus, da Igreja, que sempre reinou na minha casa de modo concreto nos dois pilares que recordo com tanta ternura e saudade, que são os meus queridos pais, o carinho com que se falava das coisas de Deus, de fé, da religião, da Paróquia, de Igreja.
O acolhimento tão amoroso que se fazia quando chegava a Sagrada Família a nossa casa, o ser acólito, de missa, as visitas pascais, o tocar das campainhas, o grito do Aleluia, Aleluia e o belo Exemplo dos Párocos de Ribeirão, homens decididos, disponíveis, homens de relação de intensidade e fé.

VNT – Da vasta experiência pastoral que vai acumulando ao longo destes anos de trabalho que é que destaca como mais positivo e compensador?
AM - O mais positivo e compensador é a sensação de ser de todos sem se prender particularmente a ninguém. O saber que o meu trabalho faz alguém sorrir e recomeçar e recuperar o sentido de comunidade e a revivência de fé cristã adormecida ao longo da vida e trocada pelas coisas passageiras as eternas.
- A envolvência das comunidades no restauro das suas Igrejas e Centros de Culto, a renovação espiritual das pessoas levando-as a descobrir que os verdadeiros templos de Deus somos nós e sobretudo o sentir que nestes anos todos de vida consagrada e sacerdotal, a melhor parte foi sempre para servir as comunidades a tempo inteiro não como funcionário do religioso mas como alguém que gosta e ama o que faz.
- Não basta fazer bem aquilo que se faz, mas é preciso sim, fazê-lo com amor. Não estou preocupado em ser padre para tudo mas sim ser padre para todos.

VNT – Certamente também existiram momentos menos bons… quer partilhá-los?
AM - Sim, certa indiferença por parte de alguns movimentos de Igreja.
Certo esforço nem sempre reconhecido, certa ingratidão depois de muita doação, certa desconfiança apesar de muita entrega e transparência, etc. Coisas passageiras…

VNT – Neste ano de vivência do Ano Sacerdotal como podem as paróquias responder em concreto a este desafio do Papa Bento XVI?
AM - Devo recordar que este ano sacerdotal não diz respeito apenas nem só aos Sacerdotes Ministeriais ou seja aos padres, mas a todos os Cristãos Baptizados em geral, porque a missão da Igreja está confiada a todos sem distinção. Então é bem verdade que os sacerdotes ou padres, são sem dúvida os pés da Igreja mas todos os cristãos devem sentir-se padres vivos neste sacerdócio comum dos fiéis, nesta Igreja de Jesus Cristo que nos quer envolver e comprometer a todos. Como diz S. Paulo no seu vigor pastoral: “Ai de mim se não evangelizar”.
Para responder a este desafio de verdadeira vivência de ouro sacerdotal é preciso primeiro e acima de tudo ser cristão autêntico e não parecê-lo apenas.
Pensar que cada um de nós vale mais por aquilo que é e significa neste mundo, do que por aquilo que faz. O homem não foi criado para fazer muitas coisas mas para ser grandes coisas.
Deus nosso Pai não saberia o que fazer das nossas obras, movimentos e actividades se nelas não estiver o nosso coração. Já dizia o Papa Paulo VI, que o mundo de hoje precisa mais urgentemente de boas testemunhas do que oportunos oradores.
Também diz o povo que as palavras comovem mas os exemplos é que arrastam.
As paróquias não devem estar preocupadas em fazer coisas extraordinárias para viver este ano sacerdotal, porque todos os dias, meses e anos são sacerdotais. O que é preciso é fazer das coisas simples e ordinárias de cada dia, coisas extraordinárias; aproveitando o que a Igreja oferece constantemente na reflexão, na formação, nos sacramentos como formas de encontro com o Homem e do Homem com Deus, sentir que as Igrejas somos todos nós e se a Igreja ou a paróquia não está bem é porque eu também não estou bem porque não estou a ocupar o lugar que me pertence para que Ela seja melhor.
É importante o intercâmbio das diversas Paróquias e movimentos metidos no mesmo barco que é a Igreja de Jesus Cristo, a troca de experiências, momentos de reflexão, de partilha, troca de ideias, para um maior sentido de Igreja e menos a noção de capelinhas: não há paróquias melhores nem piores, mas maneiras diferentes de viver, servir e ser Igreja.
Quem não vive para servir não serve para viver.

VNT – Como aprecia o trabalho social que tem sido feito na paróquia de Ribeirão?
AM - A Paróquia de Ribeirão tem desenvolvido um exemplar trabalho social inegável a quem a conheceu e a conhece agora. Tudo isto não é fruto do acaso, uma obra caída do céu. Lá diz o provérbio: “Deus quer, o homem sonha e a obra nasce”.
Alegria de Deus é o bem estar dos homens.
Sem dúvida que esta componente social tão visível em Ribeirão a nível paroquial é importante graças à dedicação, empenho e bom gosto do Monsenhor Manuel Joaquim que foi sensibilizando a comunidade para a partilha de esforços, de ideias e de economias para tornar possível este engrandecimento social e graças também ao povo de Ribeirão que respondeu a este apelo de uma maneira tão generosa. É bom sentir o empenho da Paróquia, da Fábrica da Igreja e povo, mas não significa que a Freguesia não possa abrir outras valências para servir toda a gente com mais carências económicas e sociais.
As paróquias não podem nem devem manter o monopólio social, mas ser modelo de atenção aos mais desfavorecidos,  para criar o gosto social pela atenção aos outros.

VNT – Como vê Ribeirão hoje em comparação com os tempos da sua infância?
AM - Ribeirão tem feito um esforço notório para merecer o título Vila de Ribeirão.
Temos uma igreja remodelada com estilo de catedral onde a comunidade pode participar nas celebrações com comodidade.
Temos boas escolas, zonas de lazer, biblioteca, estradas mais acessíveis para chegar aos diversos lugares da vila, as piscinas. Falta um Centro Cultural com um espaço de conferências, debates, salas de convívio e novas tecnologias para envolver os muitos jovens que a freguesia tem.
Falta uma festa popular que congregue o povo no são convívio e na atracção de outras pessoas à nossa terra. Ficamos muito no religioso, no que gira à volta do Sagrado.
Falta um espaço de encontro das pessoas, feira, mercado para troca de ideias, para troca de experiências e saberes.
Alguns lugares centrais da freguesia deviam ser mais emblemáticos, sugestivos, acolhedores. Afinal somos vila ou não somos?
Parabéns à nova Junta e mãos à obra para que, quem sabe, a vila não ganhe pernas de cidade?

VNT – Personalidade da sua vida?
AM - Exigente comigo, tolerante e compreensivo com os outros .

VNT – Livro da sua vida?
AM - O livro por excelência – O Evangelho.

VNT – Local que gostaria de visitar?
AM - Terra Santa, Atenas.

VNT – Local onde gostaria de viver?
AM - Qualquer lugar, sereno, silencioso de preferência perto da família.

VNT – Quer deixar uma mensagem aos leitores do Viver a Nossa Terra?
AM - Primeiro que tudo, quero dar os meus parabéns ao Jornal A Nossa Terra que vive para formar e informar as consciências para o que é nosso criando uma sensibilidade para a partilha e a colaboração.
Depois vamos todos como diz o lema deste Jornal – Viver a Nossa Terra.
Viver é sentir, é participar, é colaborar, é orgulhar-se de ser Ribeirense sentindo que a sua terra é sempre a melhor, porque as coisas boas não são de quem as quer mas sim de quem as ama.
O melhor amigo de qualquer progresso é aquele que não atrapalha e o espírito amigo é aquele que nele participa. O progresso não é fruto apenas de boas intenções mas de muitas vontades de nela colaborar.
Amigo leitor ainda no fim de 1 de Novembro uma sugestão de um Padre: Lutai pela vida porque a morte é certa.
O bem não faz barulho e o barulho não faz bem.
Bem-hajam.
Santos Oliveira
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