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Clube de Cultura e Desporto de Ribeirão | Terça, 07 Fevereiro 2012
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Na primeira pessoa, com José Araújo Couto PDF Imprimir E-mail
Quinta, 24 Dezembro 2009
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José Araújo Couto

O professor José Couto fez um brilhante percurso na Escola como educador e continua activo na intervenção cívica nesta Vila que ele ajudou, e de que maneira, a crescer e a valorizar-se.

Viver a Nossa Terra - Quem é  José Couto?
José Couto - Em primeiro lugar sou marido, pai e avô. Licenciado em Educação Física pela Universidade do Porto; ex membro da Junta de Freguesia (1985-1989); co-fundador do Clube de Cultura e Desporto de Ribeirão (CCDR); 1º presidente do CCDR (1987-1995); 1º Director do jornal Viver a Nossa Terra (1990- 2005); Professor aposentado, no 10º escalão.

VNT - Como recorda os tempos enquanto professor?
JC - Como tempo de intranquilidade. Fazer sempre  bem e cada vez melhor. Participar na escalada dos alunos, ajudando-os a prepararem-se para o seu futuro.

VNT - Ensino hoje ou ontem?
JC - Sempre! Andei na escola cerca de 50 anos e ainda tenho muita coisa para aprender.Esta será a mensagem que a escola – de ontem ou de hoje- deve transmitir aos educandos. De uma forma ou de outra, o importante é que saiam da escola pessoas (não indíviduos) bem formados. Futuros agentes de mudança positiva, cidadãos conscientes e activos, capazes de transformar e melhorar a sociedade que integram.

VNT - Noutros tempos, membro da Junta de Freguesia, colaborador da Casa do Povo, fundador do CCDR… como enquadra essas facetas da sua vida?
JC - Por formação senti que poderia dar algo de mim à comunidade. Primeiro na Casa do Povo, em colaboração com esse grande ribeirense que foi o Senhor Manuel Maria da Costa Santos ( a quem a Junta de Freguesia tarda em perpetuar a sua memória atribuindo o seu nome a uma rua ).Aí se iniciou o Atletismo, a ginástica,etc. Depois com as alterações na Casa do Povo, algumas dessas actividades passaram a ser apoiadas pela Junta de Freguesia de que eu fazia parte.Mais tarde, com a fundação do CCDR, tudo isto tomou outra dimensão e hoje é com satisfação que recordo todo esse trabalho. Trabalho que foi sempre desenvolvido em equipa.Se há palmas de aplauso que sejam para todos os que lutaram por estas causas.

VNT - Foi um dos impulsionadores das piscinas municipais. Tardaram a ser uma realidade?
JC - Foi a direcção do CCDR que lutou pela implantação de uma piscina em Ribeirão. Foi o CCDR que lançou a ideia e que lutou por ela já em finais da década de oitenta. Mas a forma de fazer política nessa altura impedia que se desse valor a qualquer projecto, por muito válido que fosse, se viesse de supostas forças partidárias de oposição.Chegámos a apresentar um projecto completo de uma piscina que foi entregue em mão ao presidente da câmara de então e dessa mão terá passado para o arquivo morto, talvez no gabinete do  vereador responsavel pelo desporto. Felizmente os ribeirenses foram merecedores deste grande investimento que são as piscinas municipais. A luta valeu a pena.

VNT - 20 anos de Jornal Viver a Nossa Terra. Move-o hoje como o moveu  há duas décadas atrás?
JC - Já não com a mesma pedalada, mas com o mesmo empenho. Agora mais na rectaguarda, mas activo. O lançamento deste projecto foi de loucos! Mas valeu a pena. Analisando os primeiros números e vendo a evolução que o jornal teve, temos todos de nos sentir satisfeitos, mas sempre motivados para continuar e melhorar.

VNT - Como perspectiva o futuro da imprensa local neste mundo actual  da informação?
JC - É evidente a apetência que o poder político tem para controlar os orgãos de comunicação. Como a imprensa local será mais difícil de controlar, foi fácil encontrar uma forma de a calar: retirar-lhe os apoios ou dificultando o seu acesso. A imprensa local permite às comunidades, afastadas do poder político que decide, de se fazerem ouvir e reenvidicar os eus direitos. Por isso é inegável a sua importância, como são inegáveis as suas dificuldades.

VNT - Que ambições para Ribeirão sobretudo na área do desporto e da cultura?
JC - Que fossem criadas condições para  todos poderem desenvolver uma actividade física como complemento importante do Sistema Nacional de Saúde. Sem movimento degrada-se a saúde. Lembro-me do livro do Dr. Themudo Barata “Mexa-se pela sua saúde” ( 2003 ) que devia ser de leitura obrigatória para todos. Na área cultural seria bom que se concretizasse, em Ribeirão, uma Casa da Cultura – uma casa das artes. Numa sociedade desenvolvida os serviços públicos, além da água, electricidade, gás, etc, deviam servir cultura ou incrementá-la. E então já seria normal a existência de mais  espaços dedicados à cultura.

VNT - Personalidade da sua vida
JC - O Papa João XXIII pela ousadia de mexer na letargia da Igreja Católica  convocando o Concílio Vaticano II no início da década de  sessenta.

VNT - Livro da sua vida
JC - São dois! “O escândalo dos infra-homens” de D. Helder da Câmara, arcebispo do Rio de Janeiro, 1970 e “ O Deus das pequenas coisas” de Araundhati Roy, 1998. É impressionante saber o que são hoje na sociedade indiana os intocáveis. Nem chegam a fazer parte da pirâmide social. Fez-me pensar nos “intocáveis” da pirâmide  da  nossa sociedade que estão no seu  topo e têm tantos direitos que nem a justiça lhes chega.

VNT - Filme da sua vida
JC - São dois: “ Bambi” por ser o primeiro que vi com os meus irmãos e a minha mãe no Póvoa Cine no início da década de cinquenta; o outro “ Voando sobre um ninho de Cucos”.

VNT - Local que gostaria de visitar
JC - As antiguidades do perímetro do Mediterrâneo para sentir o berço da civilização ocidental.

VNT - Local onde gostaria de viver
JC - Onde a ambição se traduzisse em serviço aos outros e não em ganância; onde a palavra dada fosse como uma escritura; onde a inveja fosse proibida; onde o ambiente fosse respeitado. Esse lugar não existe? Então gosto de Viver na Minha Terra! 

VNT - Quer deixar uma mensagem aos leitores do Viver a Nossa Terra?
JC - A vida é demasiado séria para se levar a brincar. Os leitores do jornal Viver a Nossa Terra já sentiram que este é um projecto sério e que merece ser apoiado e acarinhado. Temos que lutar todos para que o HOJE tenha sempre um AMANHÃ.
Gabriela Gonçalves
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