
É do conhecimento público que o Centro Novas Oportunidades da Forave tem vindo a estabelecer várias parcerias com entidades públicas e privadas do concelho de Vila Nova de Famalicão. Na freguesia de Ribeirão são conhecidas as parcerias com a Escola E.B. 2/3, de Ribeirão, com a Casa do Povo, com o Lago Discount, com a empresa Ferespe e, mais recentemente, com a Tesco. O Viver a Nossa Terra procurou saber mais sobre esta parceria e entrevistou a Directora de Recursos Humanos da Tesco, Dra. Carla Camilo e o Coordenador do Centro Novas Oportunidades, Carlos Paiva.
Viver a Nossa Terra: Dr. Carlos Paiva, na sua opinião, qual a importância que as parcerias com entidades empresariais e instituições assumem no âmbito das Novas Oportunidades?
CP: Na minha perspectiva, as parcerias com entidades empregadoras e instituições são uma excelente estratégia para potenciar o número de candidatos inscritos na Iniciativa Novas Oportunidades. Têm naturalmente um papel fundamental, porque permitem demonstrar aos colaboradores que os seus superiores hierárquicos, nomeadamente a administração, se preocupa com a formação e que investe no desenvolvimento das suas competências.
VNT: Face ao trabalho já desenvolvido pelo seu Centro nesse sentido, como tem sido a receptividade por parte das entidades contactadas?
CP: Existem dois tipos de reacções. A primeira, quando se trata de uma empresa ou instituição que já tem por hábito apostar na formação dos seus colaboradores, é de grande abertura. Esta abertura nota-se na forma como somos recebidos, na disponibilização das instalações para realizar entrevistas ou sessões, na adequação do horário dos colaboradores às intervenções da equipa técnico-pedagógica do nosso Centro, etc. A segunda é de alguma resistência. Acontece por vezes em empresas que são cépticas em relação à importância da formação e na ideia errada de que a formação poderá prejudicar a produtividade, quando é precisamente o oposto, pois estudos demonstram uma relação positiva entre a formação/qualificação e a produtividade.
VNT: Do seu ponto de vista, a aposta na qualificação dos trabalhadores por parte das empresas poderá ser uma forma de ultrapassar a crise?
CP: Indirectamente acredito que sim, acredito que a médio longo prazo pode impulsionar a competitividade, a melhoria contínua nos processos fabris, o envolvimento e em última instância, como referi anteriormente, a produtividade.
VNT: Que benefícios/vantagens poderão ter as empresas que aderirem a esta iniciativa?
CP: São vários! Destaco a qualificação dos quadros/colaboradores, a melhoria do currículo das organizações, que é importante para a valorização dos processos de certificação da qualidade, para a satisfação dos colaboradores, para a provável diminuição das taxas de absentismo e da rotatividade, entre outros.
VNT: Quais os apoios e acompanhamento prestados pela equipa técnica do Centro a estas empresas?
CP: A Equipa Técnico-Pedagógica do Centro Novas Oportunidades | Forave também desenvolve a sua actividade em regime de itinerância. Isto quer dizer que, sempre que a entidade patronal considere necessário, mobilizamos a nossa equipa para o interior das instalações das empresas, permitindo desta forma uma maior facilidade aos colaboradores e à própria administração. Por outro lado tentamos adequar os nossos horários aos horários da própria empresa. Temos consciência do que representa dispensar um colaborar durante o seu horário trabalho e por esta razão, sempre que possível, evitamos fazê-lo.
VNT: Carla Camilo, antes de falarmos sobre esta parceria, poderia fazer uma breve caracterização da TESCO?
CC: A Tesco – Componentes para Automoveis, Lda tem 16 anos. Esteve até ao inicio de 2009 na Trofa, tendo passado nessa data para instalações próprias em Ribeirão. Produz componentes automoveis em aluminio para motores e para compressores do ar condicionado. A Tesco faz parte de um grupo japonês especialista em fundição injectada denominado Metts Corporation que por sua vez tem várias empresas filiais espalhadas pelo mundo: Japão, Portugal, Filipinas, Brasil e Estados Unidos da América.
VNT: Como surgiu o protocolo da TESCO com o Centro Novas Oportunidades da Escola Profissional Forave?
CC: Este protocolo surgiu com um contacto no mês de Setembro pela Tesco à Forave que teve como objectivo conhecer esta iniciativa e o funcionamento do programa. De imediato foi agendada uma reunião com a equipa da Forave, que prontamente esclareceram todas as dúvidas da empresa e dos colaboradores. No último trimestre de 2009, realizaram-se as sessões de esclarecimento, as entrevistas individuais e o planeamento administrativo necessário para o arranque dos Processos de Reconhecimento Validação e Certificação de Competências a 06 de Janeiro de 2010.
VNT: Que importância assume esta parceria para a TESCO e seus colaboradores?
CC: Em primeiro lugar, é um exemplo de parceria a seguir. Para os colaboradores da Tesco é um meio de na própria empresa terem ao seu alcance o realizar de um desejo que o tempo foi adiando. Cerca de 2 vezes por semana, 4 grupos reunem-se com a Equipa da Forave nas salas de formação da empresa com o objectivo definido de aumentar as suas qualificações.
A formação na Tesco é entendida como um investimento e não como um custo. Aumentando as qualificações e competências dos seus colaboradores, a satisfação no trabalho é reflectida entre outros factores na qualidade, na segurança e na produtividade. Para a empresa é uma participação socialmente responsável e activa na comunidade sem custos associados.
VNT: Quais foram as primeiras impressões dos colaboradores perante o processo Reconhecimento Validação e Certificação de Competências?
CC: Na generalidade foram positivas. Alguns colaboradores conheciam o processo RVCC através de familiares, amigos ou colegas de trabalho que já o frequentaram. Internamente, analisamos a receptividade através da informação recolhida no Inquérito Anual de Necessidades de Formação que é de preenchimento individual, onde uma das questões focava o processo de RVCC, tendo um número considerável de colaboradores manifestado interesse em conhecer melhor esta iniciativa.
VNT: Com o slogan "Investir em quem quer aprender… compensa", a ANQ recorreu aos testemunhos de três reconhecidos empresários portugueses (Rui Nabeiro, Fundador da Delta Cafés; Alberto da Ponte, Administrador da Central de Cervejas, e Paulo de Azevedo, Administrador da Sonae). Rui Nabeiro, no seu testemunho, refere que “A qualificação é responsabilidade de todos. Numa empresa, a qualidade mais importante é nunca parar de aprender.”Que comentário lhe apraz fazer sobre esta opinião?
CC: No inicio de cada ano, o Presidente do Grupo Metts envia a todos os colaboradores uma mensagem. Parte da mensagem deste ano referia “O que determina o valor de uma empresa são os seus recursos humanos.” O que faz a diferença nas organizações é a melhoria contínua. Esta dinâmica deverá ser entendida na globalidade. O cumprimento de uma obrigatoriedade legal por parte da organização não se esgota apenas em formação genérica e teórica numa sala de formação. Há que saber tirar partido da formação e adaptá-la às necessidades de cada realidade. A competitividade obriga as empresas a adaptarem-se a mudanças constantes que são obrigatórias para a sobrevivência.
VNT: O que diria a um empresário da região que ainda não aderiu a este Projecto?
CC: É fundamental ter consciência que esta iniciativa não é mais um custo para a empresa.
O primeiro passo será mesmo conhecer na íntegra o conteúdo deste projecto e esclarecer todas as dúvidas com a equipa da Forave.
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